Líderes europeus reagem à ameaça de Trump de impor tarifas
Mesmo sem atingir Itália, Meloni classifica como “erro” medida anunciada pelo presidente dos EUA
Embora a Itália não esteja entre os países ameaçados por novas tarifas dos EUA, a primeira-ministra Giorgia Meloni criticou a decisão do presidente Donald Trump de impor as sanções aos países que apoiarem a Groenlândia.
Durante visita à Coreia do Sul, ela afirmou que a medida foi um “erro”.
“A previsão de aumento de tarifas contra aquelas nações que optaram por contribuir para a segurança da Groenlândia é um erro, e eu não concordo com isso”, disse Meloni.
Ela afirmou ter conversado com Trump sobre o assunto:
“Creio que ele estava interessado em ouvir, mas me parece que, do ponto de vista americano, a mensagem que vinha deste lado do Atlântico não estava clara.”
A primeira-ministra sugeriu que houve um “problema de compreensão e comunicação” entre Europa e EUA sobre o envio de tropas à Groenlândia. A decisão, segundo ela, não deve ser interpretada como “antiamericana”.
Reações da União Europeia
Dinamarca, Finlândia, França, Alemanha, Holanda, Noruega, Suécia e Reino Unido afirmaram em declaração conjunta que as ameaças “minam as relações transatlânticas e podem levar a uma espiral perigosa de deterioração”.
O grupo disse ainda que está “unido e coordenado em nossa resposta” e pronto para “engajar em um diálogo baseado nos princípios de soberania e integridade territorial”.
Afirmou também que exercícios militares prévios na Groenlândia “não representam ameaça a ninguém”.
O presidente francês Emmanuel Macron afirmou que pedirá “a ativação do instrumento anti-coerção” da UE caso as tarifas sejam aplicadas.
O mecanismo permite congelar acesso a mercados europeus ou bloquear investimentos de países terceiros.
Na Alemanha, o governo afirmou que “tomou nota” das ameaças e coordenará respostas com parceiros europeus.
O Parlamento Europeu também estuda suspender a aprovação do acordo comercial com os EUA, firmado no ano passado, se as ameaças persistirem.
Bernd Lange, presidente da comissão de comércio, afirmou:
“É evidente que a soberania nacional de qualquer país precisa ser respeitada por todos os parceiros do acordo comercial.”
Tropas
Na semana passada, a Dinamarca anunciou o reforço de sua presença militar na Groenlândia, após reuniões em Washington entre o chanceler Lars Løkke Rasmussen e autoridades americanas, como o vice-presidente J.D. Vance e o secretário de Estado Marco Rubio.
A Groenlândia tem autonomia interna, integra o Reino da Dinamarca, que responde por sua defesa e política externa.
Além de ampliar seus próprios contingentes, Copenhague obteve apoio de aliados europeus. Alemanha, França, Suécia e Noruega enviaram equipes para ações de vigilância e cooperação militar, em coordenação com a OTAN.
Segundo o governo dinamarquês, a iniciativa busca fortalecer a segurança regional sem abrir mão da soberania territorial.
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Comentários (2)
Marian
18.01.2026 11:06Não duvido que chegarão a um acordo sobre a Groenlândia.
Flavio marega
18.01.2026 10:52O bufão laranja afirmava que a Groenlândia estava cercada de navios russos e chineses, qual é o problema dos aliados europeus reforçarem sua segurança?