Márcio Coimbra na Crusoé: Colapso teocrático
O que vemos hoje é o esgotamento de um modelo que nasceu em 1979 e que, agora, parece não ter mais solução
O Irã vive um momento de ruptura definitiva neste mês de janeiro de 2026.
As ruas de Teerã e das principais províncias não clamam mais por reformas graduais, mas pelo fim de um sistema que se tornou anacrônico.
O regime, que por décadas utilizou o fervor religioso e o nacionalismo para se sustentar, hoje enfrenta uma combinação letal: o colapso econômico interno e uma sucessão de derrotas humilhantes no cenário internacional.
O que vemos hoje é o esgotamento de um modelo que nasceu em 1979 e que, agora, parece não ter mais solução.
Compreender a crise contemporânea do Irã exige revisitar o colapso de Mohammad Reza Pahlavi.
Ao tentar converter o país em uma potência ocidentalizada, o xá negligenciou as bases tradicionais e o clero xiita, enquanto a repressão de sua polícia secreta, a Savak, alienava a elite intelectual de um regime cada vez mais autocrático.
Esse cenário culminou na Revolução de 1979 — não um movimento puramente religioso, mas uma coalizão heterogênea de liberais, marxistas e islâmicos que, sob a liderança de Ruhollah Khomeini, derrubou a monarquia.
Contudo, o vácuo de poder foi preenchido pela institucionalização da Velayat-e Faqih.
Essa doutrina submeteu a nação à tutela do ‘jurista islâmico’, centralizando…
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