Fundador da Reag usou filhos para crimes financeiros, aponta MPF
Investigação aponta participação coordenada entre a Reag e o Banco Master para inflar ativos, simular liquidez e desviar recursos bilionário
Investigação do Ministério Público Federal (MPF) aponta que o investidor João Carlos Mansur, fundador da Reag, liquidado pelo Banco Central (BC), teria usado os próprios filhos para a prática de crimes financeiros ligados ao caso Master.
Dados da Comissão de Valores Mobiliários (CVM) apontam que o Master recebeu investimentos bilionários do Hans 95, maior fundo da Reag.
Segundo a apuração, a gestora atuava em “participação coordenada” com o banco para estruturar fundos e desviar recursos para o dono do Master, Daniel Vorcaro.
“De rigor o deferimento do pedido adicional de busca e apreensão em relação a JOÃO MANSUR, notadamente diante da representação do BACEN que demonstra a utilização da REAG para o desvio de valores do BANCO MASTER e considerando que pessoas relacionadas a JOÃO MANSUR – seus filhos – foram utilizados para a prática dos crimes”, diz a Procuradoria.
A investigação detalha que os filhos do executivo – Lucas, Marina e Alex Falbo Mansur – aparecem como beneficiários finais declarados de uma extensa cadeia de controle que envolve, entre outros veículos, os fundos Astralo 95 e Reag Growth 95.
Esses fundos protagonizaram transações bilionárias consideradas suspeitas.
O MPF cita um fluxo financeiro ocorrido entre abril e maio de 2024, no qual o Banco Master desembolsou R$ 1,45 bilhão, dos quais R$ 1,38 bilhão retornaram à própria instituição por meio da compra de CDBs pelos fundos da Reag.
A manobra teria servido para inflar artificialmente ativos e simular liquidez.
“A extensão e a complexidade destas cadeias de transações apresentam indícios de que as operações foram estruturadas mediante a participação coordenada do BANCO MASTER e da REAG DTVM, possuindo o objetivo comum de desviar recursos do Conglomerado MASTER para outros veículos com destinação alheia aos interesses da instituição”, complementou o MPF.
Liquidação do Banco Master
O Banco Central anunciou em 18 de novembro a liquidação extrajudicial do Banco Master.
Em nota, a autoridade monetária explicou que o processo foi motivado “grave crise de liquidez” do conglomerado, além de “graves violações” às normas do Sistema Financeiro Nacional (SFN).
O ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Jonathan de Jesus questionou o BC sobre a liquidação, dizendo haver indícios de que ela foi “precipitada”.
O TCU determinou a inspeção no processo de liquidação do Master.
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