Calor intenso: saiba como evitar a desidratação e beber mais água
Médico explica por que a hidratação é essencial no verão e ensina hábitos simples para aumentar o consumo de água ao longo do dia
O sol forte e as altas temperaturas formam uma combinação típica do verão brasileiro. A estação coincide com o período de descanso de muitos trabalhadores e as férias escolares, que também formam um convite para aproveitar atividades ao ar livre. Mas, para evitar que esse cenário se transforme em um grande problema, é preciso redobrar os cuidados com a hidratação.
“Manter o corpo bem hidratado é uma necessidade fisiológica que garante o bom funcionamento do organismo e evita complicações de saúde nos dias mais quentes do ano. O calor intenso desencadeia adaptações corporais que aumentam a perda de água e eletrólitos, como sódio, potássio e magnésio, e elevam o risco de desidratação”, explica o professor do curso de Medicina da Faculdade Integrado de Macapá, Pablo Henrique Cordeiro Lessa.
O médico enfatiza que a hidratação no verão exige mais atenção porque o organismo passa por ajustes fisiológicos importantes para lidar com as altas temperaturas. Assim, os riscos de desidratação e de outras complicações relacionadas ao calor se tornam maiores.
“Quando a temperatura sobe, o corpo aciona seu mecanismo de resfriamento mais eficiente, que é a transpiração intensa (sudorese). Além disso, há maior evaporação pela pele e aumento da frequência cardíaca e respiratória. O coração e a respiração trabalham mais para manter o equilíbrio”, explica.
Sinais de alerta da desidratação
A desidratação geralmente começa de forma sutil. Por isso, é fundamental reconhecer os primeiros sinais antes que o quadro se agrave e avance para moderado ou grave.
Os sintomas iniciais incluem:
- Sede intensa: o hipotálamo (centro regulador) aumenta o estímulo;
- Urina escurecida e redução do débito urinário: o corpo tenta reter água;
- Boca seca e menor salivação: indicando a secura geral do organismo;
- Cefaleia e dificuldade de concentração: incluindo lentidão cognitiva, irritabilidade e cansaço mental;
- Tontura leve e fraqueza: pode ser causada pela hipotensão postural (queda de pressão ao levantar-se);
- Pele menos elástica (perda de turgor): sinal de secura cutânea;
- Aceleração dos batimentos cardíacos: o coração bombeia mais rápido para compensar a diminuição do volume sanguíneo.
Em crianças, os sinais podem incluir irritabilidade aumentada, choro sem lágrimas, fralda mais seca e diminuição do interesse por brincadeiras.
Aumentando o consumo de líquidos
Para aqueles que não têm o hábito de beber água pura com frequência, o médico aponta que existem alternativas saudáveis que contribuem significativamente para a hidratação diária:
- Água aromatizada naturalmente: com limão, laranja, gengibre, hortelã ou morango, desde que o preparo seja recente para evitar que a água fique amarga;
- Chás gelados: camomila, hortelã, hibisco, chá verde ou chá preto, sem adição excessiva de açúcar;
- Água de coco: excelente fonte de eletrólitos (sais minerais);
- Sucos naturais diluídos: preparados com 50% de água;
- Bebidas lácteas: leite e bebidas vegetais;
- Bebidas isotônicas: podem ser consumidas para reposição de eletrólitos, especialmente após exercícios intensos.

Alimentos que hidratam (e os que devem ser evitados)
A alimentação é uma aliada poderosa na manutenção da hidratação. Pablo Henrique Cordeiro Lessa indica frutas ricas em água como melancia, melão, laranja, abacaxi e morango, além de legumes e verduras hidratantes como pepino, tomate e alface. Iogurtes naturais, kefir (bebida fermentada probiótica) e sopas frias também são bem-vindas.
Em contrapartida, alguns itens devem ser evitados, pois podem atrapalhar a hidratação e a digestão. São eles:
- Refrigerantes e sucos industrializados: ricos em açúcares e aditivos;
- Bebidas alcoólicas e cafeinadas (em excesso): aumentam a diurese, promovendo a perda de água;
- Alimentos salgados, embutidos e enlatados: aumentam a retenção de sódio e a sensação de sede;
- Frituras e comidas gordurosas: dificultam a digestão e aumentam a sensação de calor.
Hábitos simples para um verão saudável
Manter a hidratação no dia a dia não exige grandes esforços, apenas a adoção de hábitos simples e constantes. Por isso, o professor do curso de Medicina da Faculdade Integrado de Macapá lista seis dicas fáceis de aplicar na rotina:
- Garrafinha sempre perto: tenha água em mãos e beba aos poucos, com frequência, ao longo do dia;
- Beba sem sede: não espere a sede chegar; o ideal é antecipar a necessidade do corpo;
- Use lembretes: utilize aplicativos ou alarmes que reforcem a necessidade de ingestão constante de líquidos;
- Monitore a urina: preste atenção na coloração. Uma urina clara é, geralmente, um bom indicador de hidratação;
- Ambientes adequados: prefira locais arejados e na sombra;
- Cuidados com exercícios: realize atividades físicas sob supervisão e com hidratação reforçada.
Como dicas extras, Pablo Henrique Cordeiro Lessa reforça a importância de usar roupas leves e de cores claras, evitar a exposição ao sol nos horários de pico (entre 10h e 16h), usar protetor solar diariamente e ter maior atenção aos grupos vulneráveis, como idosos e crianças, oferecendo água a eles independentemente de solicitação.
“Com hidratação adequada, alimentação equilibrada e atenção aos sinais do corpo, é possível aproveitar o verão com saúde e segurança, mesmo nos dias mais quentes da estação”, conclui.
Por João Alécio Mem
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