Jovem baiana leva água potável a milhares de famílias e vence prêmio da ONU com purificador

16.01.2026

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Jovem baiana leva água potável a milhares de famílias e vence prêmio da ONU com purificador

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6 minutos de leitura 16.01.2026 10:39 comentários
Tecnologia

Jovem baiana leva água potável a milhares de famílias e vence prêmio da ONU com purificador

Baiana cria purificador e muda a vida de milhares de famílias

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Jovem baiana leva água potável a milhares de famílias e vence prêmio da ONU com purificador
Jovem da Bahia leva água potável e conquista prêmio da ONU (Foto: ONU-Meio Ambiente)

Com apenas 15 anos, Anna Luísa Beserra Santos criou uma solução que já transformou a vida de mais de 40 mil pessoas no Brasil e promete expandir para outros continentes nos próximos anos. O Aqualuz, seu dispositivo movido a energia solar que purifica água sem produtos químicos ou filtros complexos, representa uma resposta criativa e acessível para um problema que afeta 2,2 bilhões de pessoas globalmente. Essa invenção brasileira demonstra como a ciência aplicada com sensibilidade social pode gerar impactos profundos e duradouros em comunidades vulneráveis ao redor do planeta.

Por que o acesso à água potável é tão desigual?

Aproximadamente 2,2 bilhões de pessoas vivem sem acesso a recursos hídricos gerenciados com segurança, enfrentando diariamente os desafios de encontrar fontes confiáveis para suas necessidades básicas. No Brasil, especialmente em áreas rurais e comunidades vulneráveis, famílias inteiras dependem de águas contaminadas que causam doenças evitáveis e impedem o desenvolvimento social. Anna Luísa testemunhou essa realidade ao conhecer uma mãe de cinco filhos que adoeceu por consumir água imprópria, sem recursos para comprar água engarrafada ou condições de trabalhar enquanto cuidava das crianças.

A desigualdade no acesso vai além da simples disponibilidade física do recurso, envolvendo questões de infraestrutura inadequada e soluções inacessíveis para populações de baixa renda. Muitos projetos tradicionais funcionam como remendos temporários, operando por apenas um ou dois anos antes de se tornarem inviáveis ou abandonados. Essa abordagem de curto prazo não resolve efetivamente o problema, deixando comunidades novamente desamparadas após breves períodos de melhoria nas condições hídricas.

Ela levou água pra quem precisava e foi reconhecida no mundo (Foto: ONU-Meio Ambiente)

Como a Tecnologia Pode Transformar Vidas?

O Aqualuz funciona através de um princípio científico acessível que até crianças conseguem compreender, utilizando radiação solar para eliminar microrganismos presentes na água da chuva coletada. Essa simplicidade não representa fragilidade, mas sim inteligência no design que permite replicação fácil e manutenção autônoma pelas próprias comunidades beneficiadas. O sistema foi projetado para durar 20 anos, garantindo impacto sustentável ao invés de soluções passageiras que abandonam as famílias após breves períodos de funcionamento.

Além do Aqualuz original, Anna Luísa expandiu seu portfólio criando soluções complementares que atendem diferentes necessidades hídricas das comunidades:

  • Aquasalina utiliza luz solar para dessalinizar água, oferecendo alternativas para regiões com fontes salinas como única opção disponível
  • Aquafiltro fornece filtragem em três fases para comunidades de até 100 pessoas, ampliando a capacidade de atendimento coletivo
  • Aquatorre adapta o sistema para escolas e áreas sem infraestrutura hídrica estabelecida, garantindo acesso em ambientes educacionais
  • Todas as soluções operam sem produtos químicos ou filtros complexos, eliminando custos recorrentes e dependência de fornecedores externos

No vídeo abaixo, Anna conta como criou o Aqualuz :

Qual o Impacto da Purificação na Saúde Comunitária?

Desde 2013, quando Anna Luísa desenvolveu o primeiro protótipo, suas soluções já beneficiaram mais de 40 mil pessoas, com pelo menos 10 mil usuários ativos utilizando diariamente os dispositivos instalados. A redução de doenças transmitidas pela água representa o impacto mais imediato e mensurável, libertando famílias do ciclo vicioso de adoecimento e gastos médicos que consomem recursos já escassos. Técnicos locais treinados pela equipe monitoram continuamente os resultados, documentando melhorias na saúde e na qualidade de vida das comunidades atendidas.

Anna Luisa Beserra formou-se em Biotecnologia pela Universidade Federal da Bahia (UFBA). Quando ainda estava no ensino médio, ela viu um cartaz, na escola particular onde estudava, em Salvador, sobre o Prêmio Jovem Cientista, promovido pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). O tema daquela edição, em 2013, era a água. “Desde a escola, a gente estuda sobre a falta de acesso a água potável no semiárido, como esse problema é grave. Seria minha primeira oportunidade de ser cientista”, lembra. Embora não tenha sido premiada, nascia, ali, o primeiro protótipo do Aqualuz.

Com ideia simples, baiana garante água limpa e brilha na ONU (Foto: ONU-Meio Ambiente)

Como Jovens Estão Liderando Mudanças Ambientais?

Anna Luísa representa uma geração de cientistas que compreendeu desde cedo que conhecimento técnico desconectado da realidade das pessoas não gera transformação verdadeira. Seu maior aprendizado veio quando abandonou a mentalidade puramente acadêmica e foi para campo conhecer as famílias que enfrentavam escassez hídrica diariamente. Esse contato direto mudou completamente sua forma de abordar soluções, ensinando que nada substitui a aprendizagem com as pessoas que você pretende ajudar, mesmo com toda pesquisa e preparo teórico disponível.

A metodologia adotada pela jovem cientista prioriza o protagonismo das comunidades beneficiadas, transformando-as em agentes ativos do processo:

  • Contratação de técnicos locais que recebem treinamento completo e assumem a liderança no monitoramento dos sistemas implementados
  • Garantia de que projetos são instalados apenas onde existe necessidade real verificada, evitando desperdício de recursos em iniciativas inadequadas
  • Integração das perspectivas e feedback comunitários no desenvolvimento contínuo das soluções, fazendo com que elas evoluam conforme necessidades locais
  • Transformação do projeto em algo que pertence às próprias comunidades, não apenas uma intervenção externa temporária de especialistas distantes

Quais Lições Podemos Aprender Dessas Iniciativas?

O trabalho de Anna Luísa desmistifica a ideia de que empreendedorismo social funciona como uma organização não governamental tradicional, esclarecendo diferenças fundamentais entre ambos os modelos. Empresas sociais operam como negócios reais que pagam impostos e geram receitas, sem os benefícios fiscais ou oportunidades de financiamento disponíveis para ONGs convencionais. Essa estrutura exige equilibrar impacto social com viabilidade financeira, provando que empreendimentos orientados por propósito podem ser sustentáveis tanto socialmente quanto economicamente ao longo do tempo.

A visão para os próximos cinco anos demonstra ambição proporcional ao problema enfrentado, com planos concretos de expansão internacional do Aqualuz. Anna Luísa pretende implementar amplamente suas soluções por toda América Latina, África e outras regiões que enfrentam escassez hídrica crônica. Seu objetivo vai além da distribuição de dispositivos, incluindo educação e empoderamento de comunidades locais através do conhecimento compartilhado, criando assim um legado duradouro que transcende a presença física da inventora e sua equipe.

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