Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta

16.01.2026

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Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 15.01.2026 21:51 comentários
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Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta

Arqueólogos egípcios e norte-americanos descobriram a parte superior de uma estátua monumental de Ramessés II em El Ashmunein

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Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta
Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta - Créditos: depositphotos.com / Vermeulen-Perdaen-Guido

Arqueólogos egípcios e norte-americanos descobriram a parte superior de uma estátua monumental de Ramessés II em El Ashmunein, no Egito, completando a metade inferior achada em 1930 e permitindo a reconstituição de um colosso de cerca de 7 metros de altura.

Importância arqueológica da estátua de Ramessés II

A estátua de Ramessés II em El Ashmunein, antiga Khemnu, revela como colossos eram usados para afirmar poder político e presença real em capitais provinciais distantes.

A reunião das duas metades oferece um registro mais completo de proporções, indumentária e inscrições associadas a esse faraó da XIX dinastia.

O fragmento superior mostra o faraó com toucado típico e cobra real protetora, reforçando símbolos de autoridade e legitimidade divina.

Essa imagem pode ser comparada a colossos de Luxor e Abu Simbel, permitindo analisar padrões de representação e variações regionais na propaganda real.

Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta
Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta – Créditos: depositphotos.com / Cornfield

Características únicas da estátua em El Ashmunein

Entre os traços mais marcantes estão os vestígios de pigmentos azul e amarelo ainda visíveis na superfície, indicando que a estátua era originalmente policromada.

Isso ajuda a revisar a ideia de esculturas “sem cor” e amplia o conhecimento sobre técnicas de pintura e acabamento no Antigo Egito.

O contexto ambiental torna o achado ainda mais relevante, pois o aumento do lençol freático após barragens no Nilo ameaçava arenito e calcário.

O bom estado de preservação surpreendeu os especialistas e abre caminho para estudos avançados de conservação nesse tipo de rocha sensível.

Análises técnicas e científicas planejadas

A descoberta cria oportunidade para uma série de análises que podem conectar a estátua a aspectos tecnológicos, econômicos e históricos do período de Ramessés II.

Essas investigações buscam entender desde a origem dos materiais até o contexto político da dedicatória.

  • Análises químicas dos pigmentos para identificar a origem dos minerais usados na pintura.
  • Exames de superfície para reconhecer técnicas de escultura, polimento e eventuais retoques antigos.
  • Leituras de inscrições para relacionar a obra a eventos, datas, templos ou patronos específicos.
Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta
Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta – Créditos: depositphotos.com / EvrenKalinbacak

Processo de reunião das duas partes da estátua

As autoridades egípcias avaliam um projeto para unir o fragmento inferior já exposto no sítio à nova parte superior, seguindo protocolos de segurança estrutural e conservação.

Engenheiros e restauradores estudam peso, estabilidade do solo e pontos de encaixe antes de qualquer intervenção física.

O plano inclui modelagem 3D da estátua, criação de eixos metálicos internos e uso de materiais reversíveis para fixação.

Uma vez remontada, a escultura de cerca de 7 metros deve se tornar um novo polo de visitação no Médio Egito, integrando El Ashmunein ao circuito turístico faraônico.

O que a estátua revela sobre Ramessés II e Khemnu

A presença de um colosso desse porte em Khemnu/Hermópolis Magna indica o papel estratégico da cidade na administração e no controle de rotas pelo Nilo e de áreas agrícolas.

O monumento se insere em uma política sistemática de visibilidade de Ramessés II por meio de estátuas monumentais em centros religiosos e administrativos.

A combinação entre escala, pigmentos preservados e contexto urbano permite comparações com outros sítios do período raméssida.

O reencontro das duas metades demonstra ainda o potencial de áreas escavadas há décadas em revelar peças-chave para completar narrativas sobre o poder real no Egito antigo.

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