Após 96 anos enterrada na areia, a metade perdida de Ramessés II é descoberta
Arqueólogos egípcios e norte-americanos descobriram a parte superior de uma estátua monumental de Ramessés II em El Ashmunein
Arqueólogos egípcios e norte-americanos descobriram a parte superior de uma estátua monumental de Ramessés II em El Ashmunein, no Egito, completando a metade inferior achada em 1930 e permitindo a reconstituição de um colosso de cerca de 7 metros de altura.
Importância arqueológica da estátua de Ramessés II
A estátua de Ramessés II em El Ashmunein, antiga Khemnu, revela como colossos eram usados para afirmar poder político e presença real em capitais provinciais distantes.
A reunião das duas metades oferece um registro mais completo de proporções, indumentária e inscrições associadas a esse faraó da XIX dinastia.
O fragmento superior mostra o faraó com toucado típico e cobra real protetora, reforçando símbolos de autoridade e legitimidade divina.
Essa imagem pode ser comparada a colossos de Luxor e Abu Simbel, permitindo analisar padrões de representação e variações regionais na propaganda real.

Características únicas da estátua em El Ashmunein
Entre os traços mais marcantes estão os vestígios de pigmentos azul e amarelo ainda visíveis na superfície, indicando que a estátua era originalmente policromada.
Isso ajuda a revisar a ideia de esculturas “sem cor” e amplia o conhecimento sobre técnicas de pintura e acabamento no Antigo Egito.
O contexto ambiental torna o achado ainda mais relevante, pois o aumento do lençol freático após barragens no Nilo ameaçava arenito e calcário.
O bom estado de preservação surpreendeu os especialistas e abre caminho para estudos avançados de conservação nesse tipo de rocha sensível.
Análises técnicas e científicas planejadas
A descoberta cria oportunidade para uma série de análises que podem conectar a estátua a aspectos tecnológicos, econômicos e históricos do período de Ramessés II.
Essas investigações buscam entender desde a origem dos materiais até o contexto político da dedicatória.
- Análises químicas dos pigmentos para identificar a origem dos minerais usados na pintura.
- Exames de superfície para reconhecer técnicas de escultura, polimento e eventuais retoques antigos.
- Leituras de inscrições para relacionar a obra a eventos, datas, templos ou patronos específicos.

Processo de reunião das duas partes da estátua
As autoridades egípcias avaliam um projeto para unir o fragmento inferior já exposto no sítio à nova parte superior, seguindo protocolos de segurança estrutural e conservação.
Engenheiros e restauradores estudam peso, estabilidade do solo e pontos de encaixe antes de qualquer intervenção física.
O plano inclui modelagem 3D da estátua, criação de eixos metálicos internos e uso de materiais reversíveis para fixação.
Uma vez remontada, a escultura de cerca de 7 metros deve se tornar um novo polo de visitação no Médio Egito, integrando El Ashmunein ao circuito turístico faraônico.
O que a estátua revela sobre Ramessés II e Khemnu
A presença de um colosso desse porte em Khemnu/Hermópolis Magna indica o papel estratégico da cidade na administração e no controle de rotas pelo Nilo e de áreas agrícolas.
O monumento se insere em uma política sistemática de visibilidade de Ramessés II por meio de estátuas monumentais em centros religiosos e administrativos.
A combinação entre escala, pigmentos preservados e contexto urbano permite comparações com outros sítios do período raméssida.
O reencontro das duas metades demonstra ainda o potencial de áreas escavadas há décadas em revelar peças-chave para completar narrativas sobre o poder real no Egito antigo.
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