Eles recuperaram milhões de hectares de floresta sem plantar uma única árvore
A técnica de regeneração natural gerenciada (FMNR/Kisiki Hai) permite transformar terras degradadas em florestas produtivas
A técnica de regeneração natural gerenciada (FMNR/Kisiki Hai) permite transformar terras degradadas em florestas produtivas sem plantar novas árvores, aproveitando raízes e tocos vivos que permanecem no solo após anos de desmatamento e uso intenso.
Como é possível cultivar uma floresta sem plantar árvores
Em muitas áreas hoje quase desertas, antigas florestas continuam presentes como uma “floresta subterrânea”, formada por troncos cortados e raízes vivas.
Em vez de começar o reflorestamento do zero, agricultores utilizam essa base pré-existente para acelerar a regeneração da vegetação.
Essa abordagem surgiu após sucessivos fracassos de plantios com mudas frágeis em regiões secas, onde o clima severo e o solo pobre impediam o sucesso.
Ao perceber que as raízes antigas ainda estavam ativas, técnicos e agricultores entenderam que o problema não era a ausência de árvores, mas a forma de restaurá-las.

Quais experiências ocorreram em países africanos como Tanzânia e Níger
Na Tanzânia, o desmatamento, o uso intensivo da terra e as mudanças climáticas impulsionaram a desertificação, enquanto campanhas de plantio em massa resultavam em altas taxas de mortalidade das mudas.
O ambiente hostil derrubava a maioria das plantas jovens antes que pudessem se estabelecer.
No Níger, nos anos 1980, o agrônomo Tony Rinaudo identificou que muitos arbustos eram, na verdade, tocos de árvores com raízes profundas e vivas.
Essa descoberta revelou o “esqueleto” de florestas antigas e abriu caminho para restaurar ecossistemas secos sem depender de grandes viveiros de mudas.
Como funciona a regeneração natural gerenciada FMNR ou Kisiki Hai
Na FMNR, cada toco de árvore é manejado para emitir poucos brotos vigorosos, concentrando a energia das raízes já profundas em alguns galhos selecionados.
Isso permite um crescimento mais rápido e resistente do que o de mudas recém-plantadas, reduzindo custos e necessidade de irrigação.
O manejo inclui podas regulares, escolha de ramos saudáveis e proteção contra gado e cortes indiscriminados, estimulando a produção de novos brotos por ação hormonal.
Em alguns contextos, combina-se essa técnica com cercas vivas e práticas agroflorestais para diversificar a paisagem produtiva.
Quais benefícios ambientais e sociais essa floresta oculta oferece
À medida que as árvores se regeneram, a sombra reduz a temperatura do solo, diminui a evaporação e melhora a infiltração de água.
A queda de folhas forma matéria orgânica que enriquece o solo, aumenta a biodiversidade e cria um microclima mais estável para outras culturas agrícolas.
Esses processos geram impactos diretos na vida das comunidades rurais, fortalecendo a produção de alimentos e a oferta de recursos naturais. Entre os principais benefícios observados, destacam-se:
- Aumento da produtividade das lavouras cultivadas próximas às árvores.
- Disponibilidade de lenha, frutos, forragem e outros produtos florestais.
- Redução da erosão do solo e melhoria da qualidade da água.
- Recuperação gradual da fauna e da diversidade vegetal nativa.
Quais resultados já foram alcançados e como essa técnica se espalhou
Estima-se que a FMNR já tenha contribuído para restaurar cerca de 18 milhões de hectares, especialmente no Sahel, faixa semiárida abaixo do Saara.
O método se expandiu por meio de redes de agricultores, organizações locais e programas de restauração ecológica apoiados por parceiros internacionais.
Para ampliar o alcance, foram formados “agricultores campeões”, responsáveis por aplicar a técnica em suas terras e ensinar vizinhos, com apoio de ferramentas simples e capacitações práticas.
Plataformas e iniciativas de financiamento à restauração ajudam a levar o FMNR a milhares de famílias, consolidando paisagens mais produtivas e resilientes em regiões vulneráveis.
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