Vila tomada por gatos comemora nascimento do primeiro bebê em 30 anos
Pagliara dei Marsi, um pequeno vilarejo rural nas encostas do Monte Girifalco, em Abruzzo, voltou às manchetes após registrar o nascimento de Lara
Pagliara dei Marsi, um pequeno vilarejo rural nas encostas do Monte Girifalco, em Abruzzo, voltou às manchetes após registrar o nascimento de Lara, a primeira bebê em quase 30 anos, evidenciando a queda drástica da natalidade na Itália e suas consequências para vilas e cidades médias.
Crise demográfica na Itália se agrava com queda histórica de nascimentos
A Itália vive um inverno demográfico prolongado, com pouco menos de 370 mil nascimentos em 2024, o menor número em décadas.
A taxa de fecundidade está em torno de 1,18 filho por mulher, muito abaixo do nível de reposição populacional de 2,1.
Regiões como Abruzzo estão entre as mais afetadas, com queda superior a 10% nos nascimentos nos primeiros sete meses de 2025.
Esse cenário pressiona serviços públicos, provoca fechamento de escolas e acelera o envelhecimento populacional.
A tiny village in Italy where cats outnumber people have welcomed its first baby in 30 years
— Dexerto (@Dexerto) January 3, 2026
Pagliara dei Marsi now has a population of around 20 residents pic.twitter.com/vPpBl1Qsmu
Quais fatores explicam a baixa natalidade na Itália
A baixa natalidade está ligada a um conjunto de fatores econômicos, sociais e culturais que empurram a maternidade e a paternidade para idades mais avançadas, quando a fertilidade naturalmente diminui.
Em muitos casos, o adiamento se transforma em ausência de filhos.
Entre os principais elementos que alimentam essa tendência, destacam-se aspectos ligados ao trabalho, aos serviços públicos e às mudanças de valores:
- Insegurança no mercado de trabalho: contratos temporários, salários baixos e carreiras instáveis.
- Emigração de jovens: saída de milhares de italianos em idade produtiva para outros países europeus.
- Apoio insuficiente às famílias: poucas creches, serviços de cuidado infantil limitados e jornadas rígidas.
- Idade avançada e infertilidade: tentativas de gravidez mais tarde, com menor fertilidade e pouco acesso à preservação.
- Mudança de estilos de vida: mais pessoas priorizam projetos pessoais e profissionais em vez de filhos.
Políticas de natalidade na Itália ainda têm impacto limitado
O governo ampliou o discurso pró-natalidade, criando bônus por nascimento e auxílios mensais, como o “bônus bebê” em vigor desde 2025.
Em casos como o de Lara, isso garante um apoio inicial e ajuda regular para despesas básicas.
Especialistas, porém, apontam que incentivos financeiros isolados não resolvem problemas estruturais, como falta de creches públicas, dificuldade de trabalho em tempo parcial, alto custo de moradia e risco de afastamento definitivo do emprego após a licença-maternidade.

Que medidas estruturais podem apoiar famílias e aumentar os nascimentos
Para enfrentar a crise demográfica, pesquisadores e autoridades defendem políticas mais amplas que articulem emprego, proteção social e serviços de saúde reprodutiva.
A ideia é criar condições estáveis para que quem deseja ter filhos possa planejar esse passo com segurança.
- Oferecer creches acessíveis em áreas urbanas e rurais.
- Garantir proteção trabalhista a grávidas e mães.
- Ampliar serviços de saúde reprodutiva e planejamento familiar.
- Rever critérios de financiamento de maternidades em regiões pouco povoadas.
- Promover campanhas sobre preservação da fertilidade.
Como a crise demográfica afeta vilarejos e maternidades na Itália
Em vilarejos como Pagliara dei Marsi, a crise aparece em casas fechadas, ruas sem crianças e população majoritariamente idosa.
Cidades médias de Abruzzo também sofrem com salas de aula encolhidas e redução de serviços específicos para gestantes.
Hospitais regionais enfrentam risco de perder maternidades por não atingirem metas mínimas de partos, como unidades com pouco mais de cem nascimentos anuais frente a exigências de 500.
Com possíveis fechamentos, gestantes podem ser obrigadas a percorrer longas distâncias, em estradas de montanha e sob clima adverso, o que aumenta riscos em emergências.
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