Homem compra ilha e enche com animais e árvores em extinção: “Vou salvá-los”
A história da pequena Ilha Moyenne, nas Seicheles, costuma ser citada como exemplo de como a dedicação de uma única pessoa.
A história da pequena Ilha Moyenne, nas Seicheles, costuma ser citada como exemplo de como a dedicação de uma única pessoa pode alterar o destino de um território, transformando uma área degradada em santuário de preservação ambiental e proteção de espécies ameaçadas, mesmo com poucos recursos e pouco apoio institucional.
Como a Ilha Moyenne foi transformada em santuário ambiental
Quando o britânico Brendon Grimshaw comprou a Ilha Moyenne, por volta de 1962, encontrou solo empobrecido, vegetação rala e quase ausência de fauna.
Sem grandes recursos, iniciou um trabalho contínuo de restauração com apoio eventual de amigos, entre eles René Antoine Lafortune.
Foram abertas trilhas à mão e áreas erodidas receberam mudas de árvores nativas e adaptadas ao clima local.
Estima-se que mais de 16 mil árvores, como mogno e palmeiras, tenham sido plantadas, ajudando a recompor o solo, reduzir a erosão e criar micro-habitats para insetos, aves e pequenos animais.
Pour seulement 10.000 dollars, l'Anglais Brendon Grimshaw a acheté une minuscule île inhabitée aux Seychelles appelée "Moyenne" et s'y est installé pour toujours depuis 1962.
— Le Contemplateur (@LeContempIateur) July 29, 2023
À moins de quarante ans, Grimshaw a quitté son emploi de rédacteur en chef d'un journal pour commencer… pic.twitter.com/nMVNjqQA92
Por que a Ilha Moyenne é um exemplo de conservação ambiental
Em um arquipélago marcado pelo turismo de luxo, Moyenne seguiu na direção oposta, priorizando vegetação nativa, trilhas discretas e espaço livre para circulação de animais.
A ausência de caça, cercas e grandes construções permitiu que a fauna se recompusesse de forma espontânea.
A ilha passou a abrigar tartarugas-gigantes das Seicheles e diversas aves marinhas e terrestres, funcionando como um laboratório vivo de recuperação de ecossistemas costeiros.
A seguir, alguns princípios que orientaram essa conservação:
- Reflorestamento contínuo com espécies compatíveis com o ecossistema;
- Reintrodução de espécies nativas e ameaçadas em ambiente protegido;
- Proibição de caça e exploração comercial predatória;
- Manutenção de baixa densidade de visitantes para reduzir impactos;
- Monitoramento constante da vegetação e dos animais.
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Como a conservação em ilha privada inspirou outras áreas protegidas
O caso de Moyenne é frequentemente citado em debates sobre ilhas privadas conservacionistas e gestão participativa de áreas naturais. A recusa de empreendimentos turísticos de grande escala mostrou uma escolha deliberada pela preservação de longo prazo.
Com o tempo, o governo das Seicheles incorporou Moyenne ao Parque Nacional Marinho, garantindo proteção legal e integrando a ilha a um mosaico de áreas protegidas que sustenta recifes de corais, manguezais e habitats costeiros essenciais.
Quais são as etapas básicas para recuperar áreas degradadas
A experiência de Moyenne ajuda a sistematizar passos para quem deseja restaurar ambientes costeiros ou ilhas pequenas.
Cada território exige diagnóstico técnico específico, mas algumas diretrizes gerais podem orientar ações iniciais de conservação e manejo.
- Identificação de áreas degradadas com potencial de recuperação;
- Definição de metas de preservação da biodiversidade local;
- Reflorestamento com espécies compatíveis com o ecossistema;
- Criação de zonas de proteção integral para fauna sensível;
- Integração, quando possível, a redes oficiais de parques e reservas.
Qual é o legado de Brendon Grimshaw para a restauração ecológica
Brendon Grimshaw viveu na Ilha Moyenne até sua morte, em 2012, dedicando-se diariamente às trilhas, árvores e animais.
Sua rotina simples e constante garantiu que o processo de recuperação não fosse interrompido e serviu de exemplo prático de compromisso de longo prazo.
Após sua morte, a inclusão da ilha no sistema de áreas protegidas e regras específicas de visitação consolidaram o santuário.
O legado de Moyenne mostra que iniciativas locais, bem planejadas e persistentes, podem gerar resultados duradouros para a biodiversidade e inspirar políticas públicas de conservação.
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