Esqueça o “Planeta Nove”, o enigmático 2017 OF201 pode reescrever tudo o que sabemos sobre o Sistema Solar
Um novo candidato a planeta anão nas bordas do Sistema Solar, batizado de 2017 OF201, foi identificado como um corpo transnetuniano
Um novo candidato a planeta anão nas bordas do Sistema Solar, batizado de 2017 OF201, foi identificado como um corpo transnetuniano extremo muito além de Plutão, com período orbital de cerca de 25 mil anos e diâmetro estimado em 700 quilômetros.
O que torna extrema a órbita de 2017 OF201
A órbita de 2017 OF201 é altamente alongada, com periélio em cerca de 44,5 unidades astronômicas (UA) e afélio acima de 1.600 UA, levando o objeto muito além do Cinturão de Kuiper e aproximando-o de regiões associadas à Nuvem de Oort.
Simulações dinâmicas indicam que o objeto pode ter sido deslocado de regiões mais internas e gradualmente capturado em uma órbita excêntrica e estável.
Esse comportamento ajuda a reconstruir a história do Sistema Solar externo e a estimar a distribuição de massa em áreas onde poucos corpos de grande porte são conhecidos.
🚨 New dwarf planet candidate: 2017 OF201 🚨
— Tony Dunn (@tony873004) May 22, 2025
~700 km wide, now 90.5 AU from the Sun.
Orbit: a = 838 AU, q = 44.9 AU — deep into the inner Oort Cloud.
Possibly part of a hidden population totaling ~1% of Earth’s mass.
📄 Paper: https://t.co/zR5Cer6mzr#astronomy #dwarfplanet pic.twitter.com/btZDSHBb2R
Quais são as principais características físicas de 2017 OF201
As estimativas atuais apontam que 2017 OF201 tenha aproximadamente 700 quilômetros de diâmetro, tornando-o um dos maiores corpos conhecidos em órbitas tão amplas, atrás de planetas anões como Plutão, Eris e Sedna.
Sua possível classificação como planeta anão depende de atingir forma aproximadamente esférica, em equilíbrio hidrostático, enquanto orbita o Sol.
Para avaliar esses critérios, estudos em andamento analisam brilho, albedo e comportamento térmico do objeto em faixas óptica, infravermelha e de rádio.
Esses dados permitirão inferir se ele é predominantemente rochoso, gelado ou híbrido, refinando estimativas de densidade e estrutura interna.
Como 2017 OF201 foi identificado em dados antigos
Embora o anúncio tenha ocorrido em 2025, 2017 OF201 foi localizado em imagens arquivadas entre 2013 e 2020 pelos telescópios Victor M. Blanco, no Chile, e Canada-France-Hawaii, nos Estados Unidos.
A descoberta resultou da aplicação de algoritmos que cruzam imagens de diferentes épocas em busca de movimentos sutis de objetos transnetunianos extremamente lentos no céu.
Técnicas de visão computacional e análise estatística detectaram deslocamentos mínimos em relação ao fundo de estrelas, revelando o objeto como um ponto de luz recorrente ao longo de vários anos.
A trajetória reconstruída mostrou-se compatível com uma órbita extrema ao redor do Sol, demonstrando a eficácia de grandes levantamentos de céu combinados a métodos automatizados.
🪐 This newly discovered world takes 25,000 years to orbit the Sun — and it’s rewriting the map of the Solar System.
— Shining Science (@ShiningScience) October 22, 2025
Astronomers have identified one of the most extreme solar system objects ever observed: 2017 OF201, a distant, icy world that may qualify as a dwarf planet.… pic.twitter.com/WYkXcUY5qF
O que 2017 OF201 revela sobre o Sistema Solar externo
A identificação de 2017 OF201 amplia o conjunto de corpos transnetunianos extremos usados para testar modelos sobre a arquitetura do Sistema Solar distante, incluindo hipóteses como a existência de um possível “Planeta Nove”.
Sua órbita, porém, não se encaixa bem nos agrupamentos propostos para sustentar essa ideia, surgindo como um caso fora da curva entre os objetos conhecidos.
Esse comportamento orbital diferente indica que múltiplos mecanismos podem atuar na região, como interações passadas com estrelas vizinhas, marés galácticas ou concentrações de massa ainda desconhecidas.
Quais são as próximas etapas de estudo para 2017 OF201
Os próximos passos incluem medições mais precisas de tamanho, albedo e temperatura com observações dedicadas em infravermelho e rádio, usando instrumentos como o Telescópio Espacial James Webb e grandes radiotelescópios.
Para organizar as prioridades científicas, os astrônomos já delineiam algumas linhas principais de investigação a serem seguidas nos próximos anos:
- Refinar o cálculo da órbita, reduzindo incertezas em periélio, afélio e inclinação.
- Medir albedo e emissão térmica para estimar diâmetro e composição superficial.
- Modelar a evolução dinâmica do objeto em simulações de longo prazo.
- Buscar objetos com órbitas semelhantes em grandes arquivos de dados públicos.
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