Tesouro de 20.000 moedas medievais revela a batalha pelo poder na Suécia
Um grande tesouro medieval de prata, com cerca de 20 mil moedas e joias, foi descoberto próximo a Estocolmo dentro de um recipiente de cobre
Um grande tesouro medieval de prata, com cerca de 20 mil moedas e joias, foi descoberto próximo a Estocolmo dentro de um recipiente de cobre enterrado a pouca profundidade, oferecendo novas pistas sobre a história monetária da Suécia do século XII.
História monetária da Suécia medieval e o tesouro de prata
O achado está ligado à história monetária da Suécia medieval, pois revela quem controlava a cunhagem de moedas e a circulação de prata.
A maior parte das moedas traz a inscrição latina KANUTUS, associada ao rei Knut Eriksson, ativo entre o fim da década de 1160 e a de 1190.
Esse contexto indica uma fase de consolidação do poder régio após conflitos internos, em que o dinheiro funcionava como instrumento de autoridade.
Ao mesmo tempo, o conjunto mostra como a prata acumulada expressava riqueza privada em um cenário de alianças instáveis e crescente influência da Igreja.

Relação entre poder régio e Igreja na cunhagem de moedas
A presença de moedas com imagens de bispos, báculos e possíveis fachadas de igrejas sugere participação direta de autoridades eclesiásticas na cunhagem.
Isso reforça a ideia de um sistema monetário dividido entre coroa e Igreja, ambos usando a moeda para arrecadação e legitimação.
As moedas seguem padrões da cunhagem medieval escandinava: peças finas, irregulares, com bordas pontilhadas e inscrições em latim, possivelmente oriundas de oficinas regionais de curta duração.
A alternância de tipos e emissões aponta para ciclos de reconversão monetária, usados como forma de tributação e controle da pureza da prata.
Principais métodos de análise das moedas descobertas
O tesouro permite testar hipóteses sobre política fiscal, qualidade do metal e alcance das diferentes autoridades monetárias.
Para isso, arqueólogos e numismatas aplicam técnicas que combinam exame visual, análises químicas e comparação com outras séries monetárias conhecidas.
- Análise de cunhos: identificar centros de produção e sua duração.
- Estudos metalúrgicos: medir o teor de prata e mapear variações de pureza.
- Correlação histórica: relacionar emissões com conflitos, reformas e disputas sucessórias.
Contexto social da ocultação do tesouro de prata
O caldeirão de cobre foi enterrado em uma cova rasa, preenchida de forma rápida, com mistura de moedas e joias pessoais.
Isso indica tratar-se do patrimônio de um indivíduo ou família, e não de um estoque régio ou eclesiástico, sugerindo ocultação emergencial.

Em períodos de guerras, disputas pelo trono ou instabilidade econômica, era comum esconder bens para protegê-los.
O fato de o recipiente ter permanecido intacto aponta para impossibilidade de retorno ao local, possivelmente por morte, deslocamento forçado ou destruição do assentamento.
Impactos da descoberta para o estudo da Suécia medieval
Após restauração, as moedas devem integrar coleções nacionais e servir de base para refinar cronologias monetárias e mapas de oficinas de cunhagem.
A variedade de emissões em um único conjunto mostra que diversas autoridades monetárias conviviam nas trocas comerciais locais.
A legislação sueca de patrimônio cultural exige que achados de metais preciosos sejam comunicados ao Estado, o que permitiu escavação controlada e documentação detalhada.
Com esse tesouro, a história monetária da Suécia medieval ganha um novo ponto de referência material para compreender autoridade política, atuação da Igreja e comportamento econômico no século XII.
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