Adolescente pernambucano de 14 anos criou uma bomba eólica com lixo reciclado para combater a falta de água
Ele usa o vento para bombear água e custa pouco: a solução que pode mudar vilarejos inteiros
O acesso à água potável continua sendo um dos maiores desafios globais do século XXI, especialmente em regiões rurais e periféricas. Em muitos locais, a distância entre a fonte de água e as moradias obriga famílias inteiras a caminhar longas distâncias diariamente. Nesse cenário, soluções simples, sustentáveis e de baixo custo ganham destaque por oferecerem alternativas concretas para comunidades com poucos recursos financeiros e pouca infraestrutura.
Bomba d’água eólica de baixo custo: o que é essa solução?
Nesse tipo de sistema, o vento aciona um conjunto de hélices, que gira um eixo conectado a mecanismos responsáveis por puxar a água de poços, cacimbas ou reservatórios próximos.
Diferentemente de equipamentos tradicionais, que costumam usar motores elétricos ou a combustão, a bomba eólica para água busca funcionar apenas com a força do vento. Em versões mais acessíveis, o projeto pode incluir materiais reaproveitados, como garrafas PET, tubos de PVC e peças de eletrodomésticos, reduzindo custos e facilitando reparos. Assim, a tecnologia se torna atrativa para pequenos produtores rurais, assentamentos e vilarejos afastados dos centros urbanos.
O projeto desenvolvido por Lucas Figueiredo, de 14 anos, aluno do Colégio Santa Maria, no Recife. Motivado pela realidade de comunidades sem acesso regular à água,
Lucas criou uma bomba d’água movida à energia eólica feita com materiais recicláveis, como garrafas PET, sucata metálica e componentes reaproveitados de equipamentos antigos. O protótipo foi pensado para ser montado com ferramentas simples, permitindo que moradores de áreas rurais consigam replicar o sistema com apoio mínimo de técnicos especializados.
Além da preocupação técnica, o jovem pesquisador também buscou entender o impacto social da solução, conversando com professores, agricultores familiares e lideranças comunitárias. Seu projeto, apresentado inicialmente em feiras de ciências escolares, ganhou escala ao participar de competições científicas nacionais e internacionais, sempre com foco em sustentabilidade, baixo custo e facilidade de manutenção. Esse engajamento fez de Lucas uma referência entre jovens inovadores interessados em tecnologia social e uso de energias renováveis no Brasil.
Como funciona uma bomba d’água movida a energia eólica?
O funcionamento de uma bomba d’água sustentável baseada em energia eólica segue uma lógica relativamente simples, mas exige planejamento para ser eficiente.
Captação do Vento
- Hélices ou pás giram com a ação do vento.
- Funcionamento eficiente mesmo em velocidades moderadas.
Transmissão da Energia Mecânica
- Eixos, engrenagens ou polias transmitem o movimento.
- Conversão do giro das pás em força mecânica útil.
Bombeamento da Água
- Força mecânica aciona pistão, rotor ou mecanismo similar.
- Elevação da água até níveis superiores.
Funcionalidades do Sistema
- Transporte de água para caixas d’água e reservatórios elevados.
- Funcionamento totalmente independente de eletricidade.
Projetos de Baixo Custo
- Uso de materiais disponíveis na própria região.
- Estrutura resistente ao clima local.
- Manutenção simples realizada por moradores treinados.
Projeto de Lucas Figueiredo
- Desenvolvido para ventos moderados do Nordeste brasileiro.
- Sistema simples de polias e eixos.
- Mecanismo com peças reaproveitadas.
- Estrutura robusta e de baixo custo.
Resultados dos Testes
- Elevação de água de poços rasos.
- Abastecimento de reservatórios elevados.
- Atendimento a pequenas propriedades, hortas comunitárias e uso doméstico.
Validação do Projeto
- Orientação de professores de ciências e física.
- Apoio de laboratório escolar.
- Medições de vazão, altura manométrica e eficiência.
- Dados apresentados em feiras e competições científicas.
Conclusão
- Solução criativa, funcional e tecnicamente viável.
- Grande potencial de aprimoramento com universidades e centros de pesquisa.
Quais os benefícios sociais e ambientais dessa bomba d’água eólica?
A bomba d’água movida a vento, quando pensada para ser barata e reaplicável, traz impactos em diferentes dimensões. No campo social, contribui para reduzir o esforço físico de famílias que dependem de baldes e carroças para transportar água. No campo econômico, diminui gastos com energia elétrica e combustíveis, o que é relevante para agricultores familiares e pequenas comunidades rurais.
- Redução de custos: o equipamento tende a ter preço inferior ao de bombas convencionais e praticamente não gera gastos com operação, já que usa energia do vento.
- Autonomia energética: comunidades sem acesso estável à rede elétrica podem manter o abastecimento de água com maior segurança.
- Impacto ambiental reduzido: não há emissão direta de gases poluentes, alinhando-se a estratégias de transição energética.
- Reaproveitamento de materiais: o uso de componentes reciclados diminui resíduos e facilita a fabricação local.

Além disso, uma bomba d’água eólica acessível pode estimular projetos educativos, feiras de ciências e iniciativas de inovação em escolas, aproximando estudantes de temas como sustentabilidade, engenharia e ciência aplicada ao cotidiano.
A trajetória de Lucas Figueiredo ilustra bem esse potencial. Seu projeto, criado com o objetivo de ajudar comunidades sem acesso à água, conquistou um prêmio internacional em Abu Dhabi, destacando-se entre iniciativas de diversos países voltadas para energia limpa e soluções sociais de baixo custo. Antes disso, o jovem já havia acumulado medalhas em competições científicas nacionais, o que reforça a consistência e o impacto da sua proposta.
O reconhecimento internacional abriu portas para que Lucas participasse de palestras, mostras científicas e encontros com outros jovens inventores, inspirando colegas de escola e estudantes de outras regiões a desenvolverem seus próprios projetos. Em entrevistas e apresentações, ele costuma enfatizar a importância de unir curiosidade, estudo e sensibilidade social, mostrando que mesmo estudantes do ensino fundamental podem contribuir com soluções reais para problemas como a falta de água e a desigualdade no acesso à infraestrutura básica.
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