Navio do século XVI é descoberto por acaso a uma profundidade de 2.500 metros e reescreve a história do Mediterrâneo
Nas profundezas do Mediterrâneo, o naufrágio conhecido como “Camarat 4” revelou novas pistas sobre o comércio marítimo da Renascença.
Nas profundezas do Mediterrâneo, o naufrágio conhecido como “Camarat 4” revelou novas pistas sobre o comércio marítimo da Renascença.
A mais de 2.500 metros de profundidade, ao largo da costa sul da França, esse navio mercante do século XVI permanece surpreendentemente preservado, funcionando como um arquivo silencioso do passado, protegido de tempestades, correntes fortes e saques na superfície.
Como o naufrágio Camarat 4 foi descoberto e preservado
A descoberta ocorreu em março de 2025, durante exercícios de rotina da Marinha francesa na região de Ramatuelle, próxima a Saint-Tropez.
Um sinal incomum nos sonares motivou o envio de um drone subaquático, que revelou um casco de madeira de cerca de 30 metros de comprimento.
As condições extremas do fundo marinho — frio intenso, ausência de luz e água quase imóvel — explicam por que o navio se apresenta mais como um cofre fechado do que como um amontoado de destroços.
Esse ambiente limitado em organismos xilófagos também contribui para a preservação do casco e de parte da carga.
Por que o Camarat 4 é tão importante para a arqueologia
O naufrágio Camarat 4 é considerado recordista em profundidade para águas francesas e um laboratório exemplar para a arqueologia de grande profundidade.
O navio, datado do século XVI, conserva elementos estruturais, armamentos e uma carga quase intacta, permitindo estudar o conjunto da embarcação em contexto.
Foram identificados jarros cerâmicos decorados, pratos esmaltados de tonalidade amarelada, feixes de barras metálicas, canhões, uma âncora de grandes dimensões, panelas e possíveis instrumentos de navegação.
Esse conjunto indica um navio mercante armado, trafegando por uma rota movimentada e sujeita à pirataria e conflitos regionais.
Rare 16th-century shipwreck found at record depth in French waters: ‘Remarkable discovery’ https://t.co/kLu3BokSQc pic.twitter.com/zsa0zsDLUW
— New York Post (@nypost) June 18, 2025
O que Camarat 4 revela sobre o comércio na Renascença
A análise inicial mostra que o navio transportava principalmente mercadorias comuns, ligadas ao consumo cotidiano.
As cerâmicas parecem ter origem em oficinas da Ligúria, no norte da Itália, sugerindo uma rota entre centros produtores italianos e mercados do sul da França ou da Península Ibérica.
Outros naufrágios da mesma época, já encontrados no entorno de Saint-Tropez, indicam a região como um corredor marítimo no século XVI.
O Camarat 4 acrescenta um elo profundo a essa cadeia de evidências, ajudando a detalhar tipos de carga, estratégias de navegação e o perfil das embarcações renascentistas.
- Origem provável da carga: oficinas ligúrias no norte da Itália;
- Destinos possíveis: portos da França e da Espanha;
- Tipo de produto: louças de mesa, recipientes de armazenamento e metal em barras;
- Função do navio: transporte de bens manufaturados para mercados regionais.
Como a tecnologia possibilita o estudo do naufrágio Camarat 4
O estudo do sítio depende integralmente de robôs e sistemas remotos, já que nenhum mergulhador alcança essa profundidade.
O navio foi localizado por sonar multifeixe e, em seguida, veículos operados remotamente, com câmeras e braços robóticos, fizeram o registro visual e a coleta pontual de amostras.
Com milhares de imagens, a equipe pretende criar um “gêmeo digital” em 3D, permitindo que pesquisadores e público naveguem virtualmente pelo naufrágio.
Essa abordagem reduz riscos ao casco, diminui custos de operação em profundidade extrema e favorece a preservação a longo prazo.
O que o naufrágio Camarat 4 indica sobre a preservação dos mares
Entre cerâmicas de quinhentos anos e artefatos de metal, as imagens também revelaram garrafas plásticas, latas, restos de redes de pesca e outras embalagens recentes.
A presença de lixo moderno junto ao naufrágio mostra como resíduos do cotidiano alcançam camadas profundas do oceano, distante da costa.
Por custo, complexidade técnica e risco ao contexto arqueológico, não há previsão de escavação completa.
As ações concentram-se em mapeamento detalhado, coleta seletiva de materiais e produção de modelos digitais para museus e projetos educativos, conciliando preservação in situ e divulgação científica.
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