O que Trump pode fazer no Irã?

15.04.2026

logo-crusoe-new
O Antagonista

O que Trump pode fazer no Irã?

avatar
José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 14.01.2026 09:35 comentários
Análise

O que Trump pode fazer no Irã?

Protestos no Irã colocam Trump diante de escolhas limitadas entre sanções, ataques militares e coordenação com aliados

avatar
José Inácio Pilar
4 minutos de leitura 14.01.2026 09:35 comentários 0
O que Trump pode fazer no Irã?
Imagem: White House

A suspensão dos canais diplomáticos entre autoridades americanas e iranianas após as prisões e mortes de milhares de manifestantes, conforme reportado pela Reuters, coloca Donald Trump diante de um dilema.

Se a Casa Branca diz apoiar protestos contra a República Islâmica, como Trump tem declarado publicamente, as opções reais para ajudar quem enfrenta o regime são limitadas, caras e cheias de efeitos colaterais.

Uma primeira frente é a pressão econômica direta.

As tarifas de 25% prometidas a países que mantiverem relações comerciais diretas e indiretas com o Irã foram a primeira medida anunciada. Resta ver se de fato serão implementadas e quais critérios valerão para cada um dos quase 100 países hoje sujeitos a elas.

A intenção seria secar o país islâmico de fontes de receitas, mas isso demora para fazer efeito, e tempo é algo que os manifestantes não têm.

As sanções focadas em indivíduos e instituições ligadas à repressão também entram no radar, pois ampliam o custo pessoal de comandantes e juízes, sem ampliar o impacto sobre a população.

O uso de listas mais precisas, combinadas com restrições financeiras e de viagem, poderia isolar figuras-chave do sistema.

Mas esses indivíduos, que raramente saem do Irã e não costumam ter ligações com organizações ocidentais, não teriam suas vidas práticas afetadas e sanções raramente derrubam regimes sozinhas.

Outra opção é ampliar o apoio da população à comunicação. Restaurar o acesso à internet, liberar ferramentas contra bloqueios e apoiar serviços de satélite ajuda manifestantes a se organizar e a mostrar abusos ao mundo.

Esse apoio técnico já tem sido buscado por meio da rede Starlink, de Elon Musk. É menos visível e evita confronto direto, mas o regime também dispõe de tecnologia para neutralizar parte dessas iniciativas e pune quem as utiliza.

Há também o terreno diplomático, já em curso. Mobilizar europeus e parceiros regionais para condenações coordenadas, investigações internacionais e isolamento político ampliaria a pressão, mas Trump historicamente demonstra pouco apetite por insistir em articulações diplomáticas amplas com aliados tradicionais.

Mas essa medida, mais uma vez, traria poucos resultados práticos para a população que enfrenta agora as forças do Aiatolá. Além disso, Moscou e Pequim costumam reduzir o alcance dessas iniciativas.

Por fim, a opção considerada mais drástica, diante das últimas declarações de Trump, seria o apoio explícito a uma mudança de regime, com ataques militares a alvos estratégicos do comando, estruturas militares e de repressão do país.

Só que essa escolha carrega riscos altos. A ajuda aberta pode dividir a oposição interna e dar argumento para repressão mais ampla. Historicamente, intervenções externas diretas costumam produzir reação nacionalista.

Além disso, traria quase a certeza de um contra-ataque iraniano a estruturas americanas espalhadas pela região, inclusive em países como Turquia, Arábia Saudita e Emirados Árabes, que já teriam sido alertados dessa possibilidade, o que pode fazer o conflito escalar na região.

E isso justamente num momento em que parte do equipamento militar dos EUA que tradicionalmente fica na região foi deslocado para o Caribe, em apoio ao palco de operações venezuelano.

Todas essas ações, inclusive a militar, não garantem a queda do regime liderado por Ali Khamenei. Elas apenas ampliam o espaço de ação dos manifestantes, que continuariam sozinhos na linha de frente, já que a possibilidade de uma ação terrestre dos EUA é praticamente nula.

  • Mais lidas
  • Mais comentadas
  • Últimas notícias
1

Vieira pede indiciamento de Moraes, Toffoli, Gilmar e Gonet

Visualizar notícia
2

Crusoé: Lula reduz diferença para Flávio no 2º turno, indica Apex/Futura

Visualizar notícia
3

Por que relator de CPI pediu o indiciamento de Gilmar

Visualizar notícia
4

Mais uma promessa que Flávio Bolsonaro não irá cumprir

Visualizar notícia
5

Por que Vieira pediu o indiciamento de Moraes na CPI do Crime Organizado

Visualizar notícia
6

Por que Vieira pediu o indiciamento de Toffoli

Visualizar notícia
7

Dino defende colegas de STF de pedido de indiciamento em CPI

Visualizar notícia
8

“Ala do STF” sussurra contra relatório da CPI do Crime Organizado

Visualizar notícia
9

Crusoé: País vive “agressão permanente às instituições”, diz Alcolumbre

Visualizar notícia
10

Governo muda membros da CPI do Crime para enterrar relatório de Vieira

Visualizar notícia
1

Mais uma promessa que Flávio Bolsonaro não irá cumprir

Visualizar notícia
2

Vieira pede indiciamento de Moraes, Toffoli, Gilmar e Gonet

Visualizar notícia
3

Por que Vieira pediu o indiciamento de Toffoli

Visualizar notícia
4

Vieira destaca substituição de membros na CPI que rejeitou relatório

Visualizar notícia
5

Crusoé: País vive "agressão permanente às instituições", diz Alcolumbre

Visualizar notícia
6

Governo muda membros da CPI do Crime para enterrar relatório de Vieira

Visualizar notícia
7

Crusoé: Por que o relator da CPI do Crime Organizado quer indiciar Gonet

Visualizar notícia
8

CPI do Crime Organizado rejeita relatório de Vieira

Visualizar notícia
9

"Esqueceu dos colegas milicianos", diz Gilmar sobre Vieira

Visualizar notícia
10

"Adoro ser desafiado, me divirto com isso", diz Gilmar

Visualizar notícia
1

“Descobri que um vereador tem mais poder que senador”, diz Janaina

Visualizar notícia
2

Câmara escolhe petista para vaga no TCU

Visualizar notícia
3

Motta reclama de Boulos durante encontro com Lula

Visualizar notícia
4

Relator apresenta parecer favorável a Jorge Messias para o STF

Visualizar notícia
5

Boa gestão de benefícios sociais economizaria R$ 22,4 bi

Visualizar notícia
6

Liberdade Acadêmica: onde termina o debate e começa a restrição?

Visualizar notícia
7

Trump “quer um acordo grande”, diz JD Vance

Visualizar notícia
8

Mark Carney conquista maioria no Parlamento canadense

Visualizar notícia
9

Exclusivo: Exilada na Europa, Isabella Cêpa quebra o silêncio sobre a perseguição de Érika Hilton

Visualizar notícia
10

Nunes Marques é eleito presidente do TSE

Visualizar notícia

Tags relacionadas

Donald Trump internacional Mundo República da Islâmica do Irã
< Notícia Anterior

O sedã ignorado à toa que resolve o dilema de quem roda muito na rua

14.01.2026 00:00 4 minutos de leitura
Próxima notícia >

De Nelson Tanure a ex-presidente da Reag: os alvos da Compliance Zero

14.01.2026 00:00 4 minutos de leitura
avatar

José Inácio Pilar

Âncora do telejornal diário "Meio Dia em Brasília", também roteiriza e apresenta o programa de entretenimento "Café Antagonista" todos os sábados às 10h e às 16h, além de assinar colunas de automobilismo e de entretenimento.

Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.

Comentários (0)

Torne-se um assinante para comentar

Icone casa

Seja nosso assinante

E tenha acesso exclusivo aos nossos conteúdos

Apoie o jornalismo independente. Assine O Antagonista e a Revista Crusoé.