Krakatoa, a explosão que deu voltas ao mundo
A explosão do vulcão Krakatoa, em 1883, no estreito de Sunda, entre Sumatra e Java, na Indonésia, destruiu grande parte da ilha
A explosão do vulcão Krakatoa, em 1883, no estreito de Sunda, entre Sumatra e Java, na Indonésia, destruiu grande parte da ilha, gerou tsunamis devastadores e provocou efeitos atmosféricos e climáticos percebidos em todo o planeta.
Erupção do Krakatoa em 1883
A atividade do Krakatoa se intensificou em agosto de 1883, culminando em explosões extremamente violentas no dia 27.
Parte da ilha foi desintegrada, com cinzas, rochas e gases lançados a dezenas de quilômetros de altura.
O som da principal explosão foi ouvido a milhares de quilômetros, sendo descrito como um dos mais altos já registrados.
A coluna eruptiva atingiu a estratosfera, espalhando partículas finas ao redor do globo e alterando temporariamente a atmosfera.

Formação de tsunamis e destruição costeira
A destruição parcial da ilha, o colapso de estruturas vulcânicas e o enorme volume de material que caiu no mar deslocaram grandes quantidades de água.
Isso gerou megatsunamis que avançaram rapidamente pelo estreito de Sunda e alcançaram outras áreas do oceano Índico.
Cidades e vilarejos litorâneos em Java e Sumatra foram arrasados em minutos, resultando em dezenas de milhares de mortos.
Estações de maré a milhares de quilômetros registraram variações anômalas do nível do mar, evidenciando o alcance global das ondas.
Alterações climáticas e crepúsculos coloridos
A enorme quantidade de partículas lançadas até a estratosfera modificou a forma como a luz solar chegava à superfície da Terra.
Em vários continentes, observadores relataram pores do sol com cores muito intensas, em tons de vermelho, laranja e roxo, por meses após a erupção.
Essas partículas finas agiram como um filtro, espalhando a luz e produzindo crepúsculos incomuns, que chamaram a atenção de artistas e cientistas.
Estudos posteriores relacionaram o evento a uma leve queda temporária na temperatura média global e a mudanças em padrões de chuva.
Impactos na ciência e nas comunicações globais
O Krakatoa impulsionou investigações sobre como uma erupção localizada poderia causar efeitos detectáveis em grande escala.
Pesquisadores passaram a estudar com mais atenção as correntes de ar na alta atmosfera e a circulação global de aerossóis vulcânicos.
Graças aos cabos de telégrafo submarinos já instalados, notícias sobre a erupção circularam rapidamente entre continentes.
Isso transformou o episódio em um dos primeiros grandes eventos com cobertura verdadeiramente global, acompanhada quase em tempo real por diferentes países.
- Relatos sincronizados de navegadores, cientistas e moradores em vários pontos do mundo.
- Registros de pressão atmosférica e nível do mar comparados entre estações distantes.
- Uso de dados do Krakatoa para aprimorar modelos de circulação atmosférica.
Anak Krakatoa e a continuidade da atividade vulcânica
Décadas após 1883, um novo vulcão surgiu na caldeira deixada pela antiga ilha, batizado de Anak Krakatoa (“filho de Krakatoa”).
Desde que começou a emergir, em 1929, ele tem crescido em altura e diâmetro e permanece sob monitoramento constante.
Em 2018, uma erupção acompanhada de colapso parcial gerou um tsunami que causou centenas de mortes nas costas próximas, mostrando que a região continua sujeita a riscos elevados e exigindo sistemas de alerta, vigilância vulcânica e planos de evacuação atualizados.
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