Peixe de cabeça transparente é descoberto e expõe um segredo das profundezas do Pacífico
Em uma faixa escura do oceano Pacífico, entre 600 e 800 metros de profundidade, vive o peixe de águas profundas Macropinna microstoma
Em uma faixa escura do oceano Pacífico, entre 600 e 800 metros de profundidade, vive o peixe de águas profundas Macropinna microstoma, conhecido pela cabeça translúcida e olhos tubulares que despertam o interesse de pesquisadores.
O que diferencia o Macropinna microstoma de outros peixes
O Macropinna microstoma possui uma cabeça transparente formada por uma estrutura gelatinosa que protege os olhos tubulares, mantidos em uma câmara preenchida por líquido.
Esses olhos ficam voltados para cima, facilitando a detecção de presas que se deslocam acima do animal na coluna d’água.
Esse peixe apresenta corpo pequeno e nado lento, o que ajuda a economizar energia em um ambiente com pouco alimento. A combinação entre cabeça translúcida, visão especializada e movimentação contida é uma adaptação típica das zonas profundas do oceano.
Os presento a macropinna microstoma. Su cráneo transparente alberga a unos órganos verdes con los que ve. Estos ojos tubulares le dan una visión periférica grandísima ya que puede moverlos en todas las direcciones y responder con gran sensibilidad a la luz #nature #sea pic.twitter.com/qYF6S0lDVd
— Puerta de Tannhäuser (@Javi_Etxebarria) December 31, 2021
Como funciona a visão do Macropinna microstoma nas profundezas
Os olhos tubulares do Macropinna microstoma são extremamente sensíveis à luz, aproveitando ao máximo o pouco brilho que ainda alcança a zona mesopelágica.
Essa sensibilidade inclui tanto a luz residual do sol quanto clarões distantes de organismos bioluminescentes.
Normalmente orientados para cima, os olhos podem girar para a frente quando o peixe encontra uma presa, alinhando visão e boca para um ataque mais preciso.
A cabeça transparente reduz distorções luminosas e pigmentos ao redor dos olhos bloqueiam luz lateral indesejada.
Como o Macropinna microstoma é estudado por pesquisadores
Por viver entre 600 e 800 metros de profundidade, o Macropinna microstoma não pode ser observado por mergulhadores comuns.
Instituições utilizam ROVs e submersíveis com câmeras de alta resolução e sensores ambientais para registrar imagens e dados sem perturbar muito o habitat natural.
Essas pesquisas combinam observações em vídeo com análises laboratoriais, permitindo entender melhor anatomia, comportamento e ambiente onde a espécie vive.
Abaixo estão algumas das principais abordagens científicas usadas para estudá-lo:
- Registro visual com ROVs em diferentes profundidades e regiões do Pacífico.
- Coleta de espécimes para estudo anatômico, fisiológico e genético.
- Monitoramento de temperatura, salinidade e luminosidade no habitat.
- Comparação com outras espécies de peixes de cabeça transparente ou olhos tubulares.
Deep in the ocean's twilight zone, 600 to 800 meters (2,000 to 2,600 feet) beneath the surface, the barreleye fish (Macropinna microstoma) spots its prey above using upward-looking eyes through its transparent head.
— Wonder of Science (@wonderofscience) July 27, 2025
📽: MBARI pic.twitter.com/fz6tnjG5rA
Qual é o papel do Macropinna microstoma no ecossistema profundo
No contexto ecológico, o Macropinna microstoma funciona como elo intermediário da teia alimentar das zonas profundas.
Alimenta-se de pequenos invertebrados e de organismos que realizam migrações verticais, ajudando a transferir energia das camadas superficiais para as profundezas.
Ao mesmo tempo, pode servir de alimento para predadores maiores adaptados a grandes profundidades, integrando um sistema em que cada espécie ocupa um nicho específico.
Sua presença está associada ao fluxo constante de matéria orgânica conhecido como “neve marinha”.
Quais são as perspectivas para novas descobertas sobre o Macropinna microstoma
Com o avanço de ROVs, sensores e câmeras de alta sensibilidade, as observações sobre o Macropinna microstoma tendem a se tornar mais frequentes e detalhadas.
Isso inclui registros de comportamento alimentar, padrões de deslocamento e respostas a fontes de luz.
Futuras pesquisas devem esclarecer aspectos ainda pouco conhecidos, como reprodução, longevidade e variações populacionais entre diferentes áreas do Pacífico, ampliando o entendimento sobre a vida nas zonas mais profundas do oceano.
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