Comissão do Senado quer fiscalizar acordo Mercosul x UE: “Vale a lei de São Tomé”
A União Europeia aprovou um tratado comercial com o Mercosul que pode mudar a relação entre a Europa e os países da América do Sul
Em entrevista ao programa Meio-Dia em Brasília, o presidente da Comissão de Relações Exteriores do Senado, Nelsinho Trad (PSD-MS), afirmou que pretende instituir um colegiado para acompanhar de perto a implementação do acordo Mercosul x União Europeia, caso de fato ele seja assinado no final desta semana.
Como mostramos na semana passada, a União Europeia aprovou um tratado comercial com o Mercosul que pode mudar a relação entre a Europa e os países da América do Sul após mais de 25 anos de negociações.
A decisão foi tomada por maioria qualificada de embaixadores dos 27 Estados-membros reunidos em Bruxelas, abrindo caminho para que o pacto seja assinado. O acordo é considerado o maior já firmado pela UE em termos de redução de tarifas e cria uma ampla zona de comércio que envolve cerca de 780 milhões de pessoas.
“Aqui vale a lei de São Tomé: ‘Ver para crer’. O que nós vamos fazer? Já está pronta a indicação de criação uma comissão, igual aquela que foi aos Estados Unidos, para o acompanhamento ‘pari passu’, semana a semana, dos desdobramentos desse acordo de livre comércio”, disse Trad ao ser questionado sobre os benefícios para o Brasil desse acordo.
“Por isso, esta comissão esta comissão vai ser importante porque nós vamos fazê-la compor com gente da área com gente. Eu cito aqui a ex-ministra Teresa Cristina, que com certeza não vai se furtar de participar; eu cito aqui o vice-presidente Hamilton Mourão, que também com certeza não vai querer deixar de participar; o senador Espiridião Amim, o senador Sérgio Moro ou próprio senador Jaques Wagner”, complementou o parlamentar.
A proposta reduz tarifas sobre bens industriais europeus como carros, máquinas e produtos farmacêuticos e concede maior acesso ao mercado europeu para itens agrícolas e industriais do Mercosul, como carne, açúcar e etanol.
Dentro da UE, a votação final não estava garantida até poucas horas antes da aprovação no encontro de Bruxelas. Países como França e Irlanda anunciaram que vão votar contra, manifestando preocupação com os efeitos sobre os seus agricultores.
Produtores europeus reclamam que a entrada de mais produtos sul-americanos, especialmente carnes, pode pressionar preços e dificultar competir sob regras diferentes de produção.
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