Ex-segurança de Maduro é nomeado chefe de gabinete na Venezuela
Delcy Rodríguez escolhe o capitão Juan Escalona para o cargo ex-guarda-costas do ditador se diz fiel à “revolução bolivariana” e ao chavismo
A líder interina da Venezuela, Delcy Rodríguez, designou o capitão Juan Escalona como novo chefe de gabinete da Presidência. A decisão foi comunicada na segunda-feira, 12. O oficial assume a coordenação da agenda presidencial e a interlocução entre diferentes setores do Estado.
Escalona integrava o grupo de proteção de Nicolás Maduro até a captura do ex-mandatário por forças militares dos Estados Unidos, ocorrida em 3 de janeiro. A mudança faz parte de uma reestruturação na cúpula do Executivo venezuelano. Além do novo chefe de gabinete, Aníbal Coronado foi indicado para dirigir o Ministério do Ambiente.
A administração interina promoveu alterações em postos da guarda presidencial e do serviço de contrainteligência. O setor econômico também recebeu novos gestores nos dias que sucederam a transição. Essas medidas são tomadas em um período de modificação nas relações diplomáticas com Washington.
Trajetória e fidelidade ideológica ao chavismo
O capitão Escalona atuou como ajudante de ordens de Hugo Chávez até 2013. Com o falecimento de Chávez, ele passou a compor a equipe de segurança pessoal de Maduro. Em maio do ano anterior, Escalona obteve uma vaga no Parlamento em processo eleitoral, assumindo o mandato de deputado em 5 de janeiro.
Ao confirmar a escolha, Rodríguez declarou: “Sei que sua lealdade, capacidade e compromisso levarão adiante o acompanhamento do desenvolvimento dos planos do nosso governo bolivariano junto ao povo”. Em perfis de redes sociais, o oficial se define como fiel aos princípios da revolução bolivariana e aos antigos líderes do país.
A nomeação consolida a presença de militares de carreira em funções de articulação política no novo governo. O histórico do oficial indica proximidade com as diretrizes estabelecidas pelas gestões anteriores. A função de chefe de gabinete é considerada um dos postos de maior influência no regime.
Contexto da transição e cenário externo
A operação militar que resultou na detenção de Maduro registrou a morte de 50 agentes de segurança, incluindo 32 cidadãos cubanos. A baixa resistência oferecida pelas tropas locais durante a incursão gerou hipóteses sobre colaboração interna com autoridades americanas. O governo interino opera sob supervisão externa.
A postura de Caracas em relação a Washington apresenta uma mudança de orientação. O presidente Donald Trump manifestou aprovação quanto à conduta de Delcy Rodríguez no poder. Existe a possibilidade de uma reunião oficial entre a líder interina e o representante estadunidense para tratar da agenda bilateral.
Enquanto a nova gestão se estabelece, Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, permanecem em solo americano. Ambos foram encaminhados para Nova York após a captura. O casal responde perante a justiça dos Estados Unidos por acusações ligadas ao narcotráfico.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)