Argentina ganha fôlego após reformas
Reformas econômicas reduzem o risco-país da Argentina e, aos poucos, recolocam o país no radar de investidores internacionais
O recuo do risco-país da Argentina ao menor nível em sete anos sinaliza que os efeitos iniciais das mudanças promovidas por Javier Milei estão começando a ser assimilados pelo mercado financeiro.
Nos últimos dias, o spread da dívida soberana em relação aos títulos norte-americanos caiu para níveis próximos de 559 pontos base, refletindo maior confiança de investidores em possibilidades de retorno ao cenário de capitais internacionais.
Essa queda se intensificou após as eleições legislativas de outubro de 2025, quando o La Libertad Avanza, partido de Milei, obteve cerca de 40,7% dos votos nacionais, venceu em 15 províncias, inclusive Buenos Aires, e conquistou 64 novas bancas na Câmara, ampliando a credibilidade de que uma agenda de reformas pode avançar no legislativo.
A nova percepção de risco ocorre em paralelo ao pagamento integral por parte da Argentina de um acordo de swap cambial de 20 bilhões de dólares com os Estados Unidos, que havia sido estabelecido em 2025 para oferecer liquidez e estabilizar o mercado antes das eleições.
Autoridades do Tesouro norte-americano destacaram que os recursos foram quitados sem perdas para os cofres dos EUA, o que também contribui para a leitura de disciplina financeira e de compromisso com credores externos.
Só que observadores apontam que as reservas internacionais do país continuam baixas e que o Banco Central precisou recorrer a operações de recompra com bancos estrangeiros para enfrentar vencimentos de dívida, o que realça fragilidades ainda existentes.
Além disso, um relatório recente do Congressional Research Service (CRS), think-tank do Congresso americano, projeta que a Argentina terá de enfrentar grandes pagamentos externos nos próximos anos e que, sem acumular reservas suficientes, poderá estar exposta a riscos de inadimplência novamente se não conseguir sustentar um ritmo adequado de reformas econômicas.
O impulso que vem do mercado reflete também expectativas de que medidas como simplificação de regras, controle mais rígido dos gastos públicos e maior previsibilidade fiscal possam atrair investimentos produtivos, especialmente em setores ligados à energia e recursos naturais, caso avancem de forma contínua e consistente.
Após a inflação argentina fechar em 31,4% em 2025, vinda de 211,4% em 2023 e 117,8% em 2024, o mercado considera que manter a inflação na casa dos 30% em 2026, enquanto a economia volta a crescer cerca de 4%, representaria uma vitória política para Milei depois dos pesados ajustes implementados.
Esse cenário mostra que, mais do que indicadores isolados, a trajetória fiscal e política nos próximos meses continuará sendo determinante para a Argentina recuperar espaço entre os alvos de interesse do capital externo.
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Comentários (1)
Marian
12.01.2026 13:57Parabéns Milei.