Estudo levanta dúvidas sobre os reais benefícios do jejum intermitente
relógio ajuda, mas não faz milagre
O jejum intermitente ganhou fama como uma estratégia simples para melhorar o metabolismo e a saúde cardiovascular. A lógica parece direta: comer em uma janela menor de tempo traria ganhos automáticos ao organismo.
No entanto, um novo estudo científico colocou essa ideia em xeque ao mostrar que nem sempre o jejum, por si só, gera os benefícios prometidos.
O que o estudo investigou sobre o jejum intermitente?
A pesquisa foi conduzida com 31 mulheres com sobrepeso ou obesidade, que seguiram dois tipos de jejum intermitente por períodos curtos. Ambas as estratégias se baseavam na chamada alimentação com restrição de tempo, em que se pode comer normalmente, mas apenas dentro de uma janela específica do dia.
Um grupo se alimentava entre 8h e 16h, enquanto o outro comia entre 13h e 21h. O ponto central do estudo é que não houve redução calórica intencional: as participantes mantiveram a mesma ingestão total de calorias.

Quais resultados realmente apareceram?
Ao final do experimento, as participantes apresentaram uma leve perda de peso. Porém, indicadores importantes de saúde metabólica não mudaram de forma significativa.
Não foram observadas reduções relevantes nos níveis de glicose no sangue, colesterol ou pressão arterial. Esses resultados contrastam com estudos anteriores que apontavam ganhos metabólicos mais expressivos associados ao jejum intermitente.
O papel das calorias pode ser mais importante que o horário?
Segundo os pesquisadores, os benefícios vistos em outros estudos podem estar mais ligados à redução de calorias do que ao simples encurtamento da janela alimentar. Quando não há déficit calórico, o impacto do jejum intermitente parece ser bem mais limitado.
Em outras palavras, comer menos pode ser mais decisivo para melhorar o metabolismo do que apenas comer em horários específicos, ao menos no curto prazo.
NEW STUDY: Mild intermittent fasting (70% diet every other day 🐁) enhances metabolic efficiency & muscle fibers but severe IF (30% diet EOD) negatively impacts glucose tolerance, trigs, liver health & does not improve muscle fibers. How fasting is done matters 💪 pic.twitter.com/HNuRHMmonL
— David Sinclair (@davidasinclair) October 2, 2025
O estudo encontrou algum efeito positivo inesperado?
Apesar da ausência de melhorias metabólicas claras, os cientistas observaram alterações nos ritmos biológicos das participantes. O relógio interno do corpo, ligado ao sono e a outros processos fisiológicos, mudou de acordo com o horário das refeições.
Isso reforça a ideia de que o momento em que comemos influencia o funcionamento do organismo, ainda que esses efeitos não tenham se traduzido em melhorias diretas nos marcadores de saúde avaliados.
O que isso muda para quem pratica jejum intermitente?
Os resultados sugerem que quem busca emagrecimento ou melhora metabólica não deve olhar apenas para o relógio, mas também para o balanço energético total. O jejum pode ajudar algumas pessoas a comer menos, mas não parece ser uma solução mágica isolada.
Os pesquisadores destacam que estudos mais longos e com restrição calórica real ainda são necessários para entender se o horário das refeições pode oferecer benefícios adicionais em certos contextos.
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