Esse elemento químico pode acabar com a crise energética mundial
Reatores modulares prometem mudar completamente a forma de gerar eletricidade
O tório vem ganhando espaço como “combustível do futuro” que está saindo do papel. Projetos como o da Copenhagen Atomics prometem transformar esse elemento em “bateria nuclear” em formato de contêiner, gerando combustível novo enquanto produz energia.
Por que o tório pode revolucionar a energia nuclear?
O tório é quase 500 vezes mais abundante na forma útil para energia nuclear do que o urânio-235 usado hoje, oferecendo margem enorme para expansão sem esgotar rapidamente os recursos. Isso abre caminho para uma geração de energia muito mais sustentável e escalável no longo prazo.
Outro ponto crucial é que o tório não entra em reação em cadeia sozinho, mudando o jogo em segurança e controle. Ele precisa ser combinado com material físsil como urânio-235 ou plutônio-239 para dar o empurrão inicial e gerar urânio-233, o verdadeiro combustível ativo no processo.

Como funcionam os reatores de sal fundido com tório?/
Nos reatores de sal fundido, o combustível fica dissolvido em mistura quente de sais como o FLiNaK, circulando como líquido incandescente. Isso permite retirar continuamente os resíduos da fissão durante a operação, mantendo a reação mais estável e eficiente.
No conceito Onion Core da Copenhagen Atomics, o núcleo tem camadas: sal combustível no centro, água pesada para moderar nêutrons e um “manto de reprodução” com tório por fora. Nessa região externa, os nêutrons transformam tório em urânio-233, alimentando o ciclo de combustível e tornando o sistema autossustentável.
Quais as vantagens de segurança desses reatores?
Esses reatores operam a pressão atmosférica, diferente dos tradicionais que precisam segurar água sob alta pressão. Se algo falha, o sal fundido esfria e solidifica, aprisionando o material radioativo e reduzindo riscos de vazamentos dramáticos.
Alguns projetos usam tampão congelado no fundo do vaso: se a temperatura passa do limite, ele derrete e o sal escorre por gravidade para tanque seguro, desligando sozinho. A presença de urânio-232 torna o material difícil de manusear para fins bélicos, pela radiação gama intensa que exige blindagens pesadas.
Quer entender como funciona esse reator? Veja a explicação completa:
Como a Copenhagen Atomics pretende escalar essa tecnologia?
A empresa planeja produzir pequenos reatores modulares do tamanho de contêiner de 12 metros, fabricados em linha de montagem, um por dia. Cada módulo funcionaria como bateria nuclear selada por cinco anos, depois seria trocado, e os clientes comprariam apenas o calor gerado.
A China já operou um reator de sal fundido com tório e urânio por dias em potência máxima, produzindo protactínio-233 e reabastecendo sem desligar. A Copenhagen Atomics planeja testar um reator em escala real no Instituto Paul Scherrer, na Suíça, a partir de 2026, com meta de custo de US$ 20–40 por MWh.
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