Regime do Irã parece ‘desnorteado’, diz Economist
Desvalorização do rial e paralisação do comércio em Teerã intensificam crise interna, enquanto ameaças de intervenção elevam tensão
Enquanto as manifestações continuam em cidades e províncias do Irã, motivadas pela falta de postos de trabalho para homens e pela desvalorização da moeda, o Estado mobiliza agentes e força interrupções de internet para conter os grupos. Forças de segurança ocupam ruas da capital para impedir reuniões em pontos de trânsito, segundo a revista The Economist.
Até agora, mais de 1.200 pessoas foram presas em 9 dias durante as manifestações. Pelo menos 35 foram mortas.
Unidades de ensino suspenderam atividades com a justificativa de poluição. Comerciantes de aparelhos e lojistas do Grande Bazar de Teerã interromperam suas vendas. A paralisação acompanha a queda do rial, que atingiu valor mínimo frente ao dólar.
Gestão financeira e efeitos sociais
O valor do rial caiu 98% no intervalo de uma década. O presidente Masoud Pezeshkian afirmou: “Eu não posso fazer nada”. A inflação acima de 40% eleva o custo de itens de alimentação.
O governo substituiu subsídios por envios de dinheiro à população. A porta-voz Fatemeh Mohajerani declarou que a medida resultará em “significativos” aumentos de preço para frango e ovos. O montante mensal por indivíduo equivale a oito dólares.
A administração tentou reduzir tensões anteriormente com o recuo da polícia da moralidade. No entanto, existem registros de incursões em hospitais para a detenção de manifestantes. Grupos reagiram com ataques a delegacias para retirar presos.
A ideologia do sistema demonstra sinais de desgaste. A oposição avalia o nome de Reza Pahlavi como alternativa de governo. O cenário de crise ambiental e econômica permanece sem solução por parte dos líderes.
Relações externas e sucessão de governo
A operação dos Estados Unidos na Venezuela motiva debates sobre a segurança da gestão. Israel realizou ataques aéreos no território iraniano no ano anterior. Donald Trump declarou: “A América virá em seu socorro”.
Um analista no exílio afirmou que “as coisas estão ruins o suficiente para o regime estar procurando bodes expiatórios”. Existem discussões internas sobre a sucessão do líder supremo, Ali Khamenei. O economista Saeed Laylaz sugeriu que o líder deixe o cargo em favor de um “Bonaparte”.
O presidente do parlamento, Mohammad Bagher Qalibaf, é citado em diálogos sobre o comando. O governo mantém avisos de prontidão para ações militares em bases do exterior. Cartazes na capital exibem imagens de caixões com bandeiras de outros países.
A atual gestão atinge o trigésimo sétimo ano de duração. O período coincide com o tempo de permanência do monarca deposto em 1979. A instabilidade ocorre em um contexto de ameaças de escalada na região.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)