Em grupo no WhatsApp, PCC definia punições a moradores de favelas
Investigação contra o “tribunal do crime” revela uso de grupo de mensagens para sentenciar moradores e comparsas na Zona Leste de São Paulo
A Polícia Civil de São Paulo prendeu dois homens nesta quarta-feira, 7, sob a acusação de integrarem um “conselho de disciplina” do PCC (Primeiro Comando da Capital). A ação ocorreu na Zona Leste e teve como foco indivíduos que utilizavam um grupo de WhatsApp para definir e orquestrar agressões físicas contra moradores e membros da própria organização.
Denominada Operação Ordem Paralela, a diligência foi coordenada pelo 55º Distrito Policial, com suporte da 8ª Seccional. O inquérito aponta que o grupo gerenciava o domínio de favelas da região através de um chat nomeado “QueeBraadAs”. No total, oito suspeitos foram identificados pela justiça.
Dos alvos da operação, quatro já se encontravam sob custódia do sistema prisional por outros delitos. Com as duas capturas realizadas hoje, dois investigados permanecem na condição de foragidos. Os detidos exerciam a função de “disciplinas” dentro da estrutura hierárquica do grupo.
Monitoramento virtual e castigos físicos
As investigações tiveram início no ano de 2023, após a detecção de movimentações suspeitas na rede. Os relatórios policiais indicam que o ambiente virtual servia para deliberar sobre a rotina do comércio de entorpecentes. Além disso, o espaço era utilizado para o julgamento de condutas consideradas irregulares pela facção.
As “sentenças” proferidas pelos criminosos iam de ameaças a execução de lesões corporais. O controle territorial era exercido por meio da imposição de regras rígidas nas comunidades periféricas. A polícia tenta agora identificar outros integrantes que participavam das discussões no aplicativo.
Durante o cumprimento dos mandados de busca, os agentes localizaram um revólver com a numeração suprimida em posse de um homem de 36 anos. O indivíduo foi autuado em flagrante por porte ilegal de arma de fogo de uso restrito. Também foram encontrados computadores e telefones celulares nas residências vistoriadas.
Conexão com sequestros e perícia técnica
A equipe do 55º Distrito Policial apreendeu ainda um par de placas de veículos com suspeita de adulteração. Os investigadores acreditam que os itens serviam para a clonagem de automóveis utilizados em assaltos pela cidade. O material passará por análise para confirmar a procedência e o uso em crimes anteriores.
A análise preliminar de aparelhos celulares abriu novas frentes de apuração sobre as atividades da quadrilha. Em um dos dispositivos, pertencente à irmã de um foragido, foram encontradas provas de um sequestro. O crime teria ocorrido em dezembro de 2025, envolvendo a retenção de uma vítima em cativeiro.
Os dados indicam que o grupo utilizou o aplicativo bancário do refém para efetuar transferências financeiras durante o período de cárcere. O material eletrônico seguirá para perícia técnica com o objetivo de mapear a rede de comando da facção. O rastreio dos valores deve identificar novos beneficiários do esquema.
Os suspeitos responderão por associação criminosa e posse de armamento restrito. O indiciamento deve ser ampliado para incluir tráfico de drogas e crimes violentos ordenados via mensagens. A Polícia Civil mantém as buscas para localizar os dois indivíduos que não foram encontrados durante a operação.
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