Lago Eyre se divide em duas cores opostas após chuvas extremas e surpresas do espaço
Localizado no sul da Austrália, o lago Eyre ocupa o ponto natural mais baixo do continente e, em períodos de cheia, pode cobrir milhares de quilômetros.
O episódio recente no lago Eyre, também conhecido como Kati Thanda, chamou a atenção ao revelar, em imagens de satélite, uma grande superfície dividida em duas áreas de cores contrastantes após chuvas excepcionais no interior da Austrália, destacando como água, sal e microrganismos transformam um ambiente extremo em um mosaico visualmente marcante.
O que torna o lago Eyre um lago temporário singular
Localizado no sul da Austrália, o lago Eyre ocupa o ponto natural mais baixo do continente e, em períodos de cheia, pode cobrir milhares de quilômetros quadrados.
Em condições normais, porém, permanece como bacia seca, altamente salina e exposta a temperaturas elevadas, o que faz de cada enchente um gatilho raro para processos ecológicos adormecidos.
Por ser um sistema endorreico, sem saída natural para o mar, toda a água recebida por rios e enxurradas permanece até evaporar.
Esse comportamento temporário torna Kati Thanda um indicador sensível de padrões de chuva em regiões distantes, como Queensland, onde eventos extremos em 2025 garantiram volume suficiente para reativar o lago.
➡️El LAGO EYRE aún RESISTE en el CORAZÓN DESÉRTICO de AUSTRALIA
— EXOPLANETAS Noticias de Ciencia y Tecnología (@ExoPlanetascom) January 3, 2026
(Foto publicada por la NASA el 2 de enero 2026)
El año 2025 fue extraordinario para el lago Eyre o Kati Thanda, en Australia Meridional. A principios de mayo, el agua comenzó a fluir hacia el lago que puede alcanzar… pic.twitter.com/zSohDSmGbl
Como se formam as cores contrastantes no lago Eyre
A divisão em faixas verde-azuladas e avermelhadas resulta da combinação entre profundidade da água, concentração de sal e abundância de microrganismos especializados.
Em áreas mais profundas, como Belt Bay, a salinidade relativa é menor e certas algas com clorofila predominante geram tons esverdeados ou azulados.
Nos setores mais rasos, caso de Madigan Gulf, a evaporação intensa concentra o sal, favorecendo microalgas e arqueias halófilas como Dunaliella salina, que produzem pigmentos carotenoides vermelhos, rosas ou alaranjados.
A fronteira entre as porções esverdeadas e avermelhadas marca transições sutis na profundidade, salinidade e composição biológica.
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| COORDENADAS / ATRIBUTO | DADOS DE TELEMETRIA | STATUS DE EXPLORAÇÃO |
|---|---|---|
| Elevação Geográfica | -15m (Ponto mais baixo da Austrália) | DEPRESSÃO ATIVA |
| Composição de Superfície | Crosta de Sal de Alta Densidade (4m) | ESTÁVEL |
| Ciclo de Inundação | Preenchimento total 1,5x por século | EVENTO RARO |
| Área de Abrangência | 9.500 km² (Aproximadamente) | EXPANSÍVEL |
Quais são as principais características das diferentes zonas do lago
As diferentes cores do lago correspondem a faixas ambientais distintas, que variam em profundidade, química da água e tipos de microrganismos dominantes.
Essas zonas ajudam a entender como pequenas mudanças físicas resultam em grandes contrastes visuais detectáveis por satélites.
- Setores mais profundos: água com salinidade relativamente menor, maior predomínio de clorofila, cores verde-azuladas.
- Setores rasos e muito salinos: forte evaporação, alta concentração de sais, proliferação de microrganismos halófilos com pigmentos avermelhados.
- Zona de transição: mistura de condições físicas e químicas, criando gradientes de cor bem marcados nas imagens de satélite.
Lago Eyre (Australia) pic.twitter.com/EMpplmoKvC
— Rafa ♥️💛❤️ (@Rafael62216298) January 31, 2024
Como o lago Eyre se compara a outros lagos hipersalinos no mundo
O lago Eyre não é o único corpo d’água a exibir separação cromática associada à salinidade extrema, fenômeno também visto no Great Salt Lake, em Utah, e em salinas costeiras de várias regiões do planeta.
Esses ambientes extremos funcionam como laboratórios naturais para estudar adaptação biológica a altas salinidades, temperaturas elevadas e intensa radiação ultravioleta.
No caso de Kati Thanda, a rápida transição de bacia seca para lago colorido após chuvas intensas destaca a velocidade com que microrganismos retomam ciclos de crescimento.
As enchentes e retrações registradas em séries históricas ajudam a reconstruir padrões climáticos e a acompanhar a dinâmica desses ecossistemas por monitoramento de satélite.
Qual é a perspectiva futura para o lago Eyre e suas cores
A permanência das cores depende do equilíbrio entre aporte de água e evaporação em um cenário de clima quente e chuvas irregulares no interior australiano.
À medida que o lago perde volume, a concentração de sal aumenta até que a água praticamente desapareça da superfície, enquanto a vida microbiana entra em baixa atividade à espera de um novo ciclo de enchente.
Relatos indicam que, após o pico de cheia de 2025, o nível do lago já está em recuo, fazendo com que as áreas coloridas se retraiam e mudem de forma.
Mesmo assim, o “espelho bicromático” permanece registrado em dados de satélite e segue sendo referência estratégica para estudos de clima, biologia e geologia em um dos cenários mais extremos da Austrália.
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