Separatistas rompem com governo do Iêmen e anunciam plano de transição
Plano de autodeterminação prevê referendo em 2028 e encerra aliança com o governo reconhecido após confrontos militares
O Conselho de Transição do Sul (CTS) formalizou, nesta sexta-feira, 2, o início de um processo de separação territorial no Iêmen. Aidarus al Zubaidi, líder da organização, definiu um período de transição de dois anos e marcou um referendo para 2 de janeiro de 2028. A decisão é tratada como resposta a ofensivas de forças do governo iemenita, que possuem o apoio da Arábia Saudita, contra áreas separatistas.
Escalada militar e ruptura de alianças
Operações em Hadramut, sob o comando do governador Salem al-Khanbashi, desencadearam a reação do grupo sulista. Khanbashi indicou que a ação visava recuperar instalações militares ocupadas e remover armas consideradas ameaças locais. O CTS denunciou a ocorrência de ataques aéreos sauditas contra a 37ª Brigada na região de Al-Khash’a.
Em pronunciamento, Al Zubaidi disse: “Hoje lançamos uma declaração constitucional para restaurar o Estado do Sul de Arábia”. A postura do conselho sinaliza o fim da cooperação militar com a gestão nacional no combate aos rebeldes hutis. O movimento projetou o uso de supervisão internacional para validar o pleito de soberania planejado para 2028.
Zubaidi advertiu que a continuidade dos combates pode levar à proclamação da independência de modo unilateral. O comando do grupo separatista descreveu as investidas governamentais como um ato de guerra. A retirada de tropas dos Emirados Árabes Unidos de certas províncias, após exigências sauditas, contribuiu para o cenário de instabilidade.
Impactos logísticos e tensões regionais
A disputa pelo controle de infraestruturas afetou as operações no aeroporto internacional de Áden. O embaixador saudita Mohammed Al-Jaber relatou que o CTS impediu o desembarque de uma delegação de mediação no terminal. O grupo separatista afirmou que a Arábia Saudita estabeleceu um bloqueio aéreo, desviando voos para a cidade de Jidá.
Essas medidas agravaram as condições logísticas e a assistência humanitária nas províncias do sul iemenita. A crise reflete o distanciamento entre Arábia Saudita e Emirados Árabes Unidos na condução da coalizão no país. Enquanto Riade sustenta militarmente o governo, os Emirados apoiam a expansão do CTS em áreas como Hadramut e Al Mahra.
O objetivo do conselho é restabelecer o Estado que existiu entre 1967 e 1990, antes da unificação iemenita. O processo ocorre em um contexto de fragmentação das forças que anteriormente combatiam juntas a insurgência huti no norte. A comunidade internacional observa a movimentação que pode redesenhar as fronteiras na Península Arábica.
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