George Clooney critica ‘submissão’ de emissoras a Trump
Ator diz temer pela autonomia da imprensa após acordos financeiros e mudanças editoriais em grandes redes de televisão
O ator George Clooney se diz preocupado quanto à integridade da imprensa nos Estados Unidos. Em depoimento à revista Variety, ele avaliou que as redes CBS e ABC deixaram de exercer um papel independente diante de Donald Trump.
Para o protagonista de “Jay Kelly”, a postura das empresas de mídia contribuiu para o cenário político atual: “Se a CBS e a ABC tivessem enfrentado aqueles processos de Trump e mandado ele se foder, não estaríamos onde estamos. Essa é a pura verdade”, declarou Clooney.
A Paramount, proprietária da CBS, firmou um acordo de US$ 16 milhões para encerrar uma ação movida pelo ex-presidente. Trump alegava que a emissora apresentou tratamento favorável à sua oponente, Kamala Harris, durante o ciclo eleitoral de 2024.
No mesmo período, a rede ABC teve a transmissão do programa de Jimmy Kimmel interrompida por determinação de órgãos reguladores. Essas ações geraram questionamentos sobre a capacidade de resistência das corporações de comunicação perante o governo.
Reformulação e impasses editoriais
Clooney, que tem vínculo familiar com o jornalismo por meio de seu pai, Nick Clooney, criticou a nova direção da CBS. Ele disse que a editora-chefe “Bari Weiss está desmantelando a CBS News enquanto conversamos aqui. Estou preocupado sobre como vamos nos informar e como vamos discernir a realidade sem uma imprensa funcional”.
O artista enfatizou a necessidade de manter a persistência no trabalho informativo, apesar do clima de tensão institucional: “Temos que baixar a cabeça e seguir em frente, desistir não é opção”, complementou em sua análise sobre o setor.
Bari Weiss rebateu as declarações convidando o ator para visitar as instalações da emissora em Nova York. Ela sugeriu que ele conhecesse o processo de relançamento do telejornal Evening News, previsto para o dia 5 de janeiro.
Clooney versus Trump
Trump reagiu às críticas por meio de sua plataforma digital, chamando o artista de “um cara qualquer que fica reclamando da política”. Ele questionou a relevância da carreira cinematográfica de Clooney, classificando seus filmes como produções de nível baixo.
A manifestação de Trump ocorreu após Clooney e sua esposa, Amal, receberem a cidadania francesa. A família reside em uma área rural na França desde 2021 para evitar o acompanhamento constante da mídia de entretenimento.
Em resposta às provocações, o ator utilizou o lema de campanha de Trump para reforçar sua posição política: “Temos que fazer a América grande novamente. Vamos começar em novembro”, escreveu Clooney sobre as próximas eleições legislativas.
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