O mesmo padrão que quebrou bancos em 2008 está se repetindo com a IA
Padrões de bolhas financeiras do passado aparecem no mercado atual de tecnologia
A história recente da inteligência artificial mistura entusiasmo, cifras bilionárias e um clima de déjà-vu para quem já estudou outras grandes bolhas financeiras. De tulipas na Holanda à febre das empresas “.com”, passando pela crise imobiliária de 2008, alguns padrões parecem se repetir quando o assunto é expectativa demais e lucro de menos.
O que tulipas têm a ver com a bolha da IA?
No século XVII, na Holanda, bulbos de tulipas raras chegaram a valer o preço de uma mansão em Amsterdã, como o famoso Semper Augustus, que alcançou 5.000 florins. Pessoas comuns venderam casas, terras e joias para comprar contratos de flores que nem tinham brotado ainda.
Em 1637, um leilão esvaziado fez o castelo de cartas ruir: ninguém quis comprar, os preços despencaram até 90% em dias e muita gente perdeu tudo. As tulipas continuaram bonitas nos jardins, mas ficou claro que o problema nunca foi a flor, e sim o preço completamente desconectado da realidade.

Como a crise de 2008 explica os riscos da IA?
Em 2005, o investidor Michael Burry percebeu que os Estados Unidos viviam uma euforia perigosa no mercado imobiliário: bancos liberavam empréstimos até para quem não tinha renda, emprego ou patrimônio, os famosos créditos “ninja”. Os riscos eram empacotados em produtos como CDO e MBS e vendidos como investimentos seguros.
Quando a realidade bateu na porta em 2008, a crise do subprime derrubou bancos, fundos e trilhões de dólares em valor de mercado. Burry, que apostou contra esse sistema, lucrou cerca de 700 milhões de dólares. Anos depois, ele voltou a acender o alerta, dessa vez mirando empresas ligadas à inteligência artificial, como Nvidia e Palantir.
A bolha da internet pode se repetir com a IA?
Nos anos 1990, qualquer empresa com “.com” no nome parecia ter passe livre para valer bilhões, mesmo sem lucro ou plano de negócios sólido. O índice Nasdaq subiu cerca de 400% entre 1995 e 2000, impulsionado por negócios como pets.com e Webvan, que queimavam dinheiro em marketing e infraestrutura sem fechar as contas.
Quando os resultados decepcionaram, a Nasdaq caiu 78% em dois anos, empresas viraram pó e aposentadorias sumiram. A internet de fato mudou o mundo, com gigantes como Amazon e Google surgindo desse período, mas ficou claro que crescimento sem lucro e preços sem fundamento não se sustentam por muito tempo.
Quer ver como essas bolhas se formaram no passado? Assista o vídeo abaixo:
Quais sinais indicam uma possível bolha da IA?
Hoje, empresas de inteligência artificial movimentam cifras impressionantes. A Nvidia chegou perto de 5 trilhões de dólares em valor de mercado, a OpenAI é avaliada em 500 bilhões de dólares mesmo projetando prejuízo de 27 bilhões em 2025, e a Palantir negocia a cerca de 400 vezes o próprio lucro.
Há um ciclo curioso de dinheiro girando entre as gigantes: investimentos bilionários em IA financiam a compra de chips, data centers e mais infraestrutura, enquanto a receita ainda é incerta. Para justificar os gastos previstos de até 7 trilhões de dólares em infraestrutura nos próximos anos, o setor teria de faturar 2 trilhões por ano até 2030. Além disso, a TSMC em Taiwan concentra quase toda a produção de chips avançados, e data centers de IA podem quadruplicar a demanda global de energia na próxima década.
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