Milhares de pegadas de dinossauro são encontradas em vale perto do local dos Jogos Olímpicos de Inverno
Em plena cordilheira dos Alpes italianos, a mais de 2 mil metros de altitude, uma parede rochosa quase vertical guarda milhares de pegadas de dinossauros
Em plena cordilheira dos Alpes italianos, a mais de 2 mil metros de altitude, uma parede rochosa quase vertical guarda milhares de pegadas de dinossauros no Parque Nacional Stelvio, na Lombardia, vestígios triásicos que revelam antigos ambientes costeiros ligados ao oceano de Tétis e ajudam a reconstruir o comportamento e a evolução dos primeiros grandes répteis terrestres.
O que são as pegadas de dinossauro do Parque Nacional Stelvio
As pegadas de dinossauro do Parque Nacional Stelvio são trilhos fossilizados deixados em lamas e areias de antigas planícies costeiras triásicas.
Na época, a área hoje ocupada pelos Alpes era baixa, com lagoas rasas e superfícies lamacentas onde dinossauros herbívoros transitavam em busca de alimento.
Muitas marcas são atribuídas a grandes herbívoros de pescoço comprido, como plateossauros, que caminhavam sobre sedimentos ainda macios.
Com o tempo, essas lamas foram compactadas e transformadas em rochas sedimentares, preservando dedos, garras e detalhes de postura e deslocamento dos animais.
Por que as pegadas de dinossauro no Stelvio são importantes para a ciência
As pegadas no Stelvio destacam-se pela enorme extensão do sítio, pela idade triásica e pelo alto grau de preservação.
Elas cobrem vários quilómetros na área do glaciar Valle di Fraele, próximo a Bormio, configurando um dos maiores campos de icnofósseis triásicos da Itália e do mundo.
Esse conjunto permite comparar tamanhos, direções de marcha e possíveis interações entre dinossauros em um momento-chave da sua diversificação evolutiva.
Também ajuda a entender a transição entre ambientes marinhos e continentais na antiga margem do oceano de Tétis.
- Idade geológica aproximada entre 250 e 200 milhões de anos (período Triásico).
- Ambientes originais de lagoas costeiras e planícies lamacentas ligadas ao Tétis.
- Predomínio de grandes dinossauros herbívoros, como os plateossauros.
- Preservação de impressões de dedos, garras e variações de peso nos passos.
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Thousands of dinosaur footprints have been found in part of northern Italy known as the Parco Nazionale dello Stelvio Branchi. Experts say they are from enormous herbivores that lived there 210 million years ago in the Triassic period. pic.twitter.com/GVCE1IxyKH
— The Associated Press (@AP) December 16, 2025
Como as pegadas de dinossauro foram parar em uma parede quase vertical
Embora hoje apareçam em uma parede rochosa quase vertical, as pegadas foram originalmente gravadas em superfícies horizontais de planícies costeiras.
A explicação para essa mudança está na tectónica de placas que atuou durante o fechamento do oceano de Tétis.
Com o avanço da placa africana em direção ao norte, as antigas camadas sedimentares foram comprimidas, dobradas e empurradas para cima, formando os Alpes.
Nesse processo, superfícies antes planas foram inclinadas ou posicionadas verticalmente, levando consigo os trilhos fossilizados.
Como os investigadores estudam as pegadas de dinossauro no Stelvio hoje
Como a área das pegadas é de difícil acesso e não possui trilhos seguros, os estudos dependem fortemente de tecnologias de deteção remota.
Equipas utilizam drones, fotografia de alta resolução e modelagem 3D para registar cada trilho com precisão sem danificar as rochas.
As imagens permitem medir tamanhos, espaçamento entre passos e alinhar rastros para estimar altura, velocidade média e mudanças de direção dos dinossauros.
Em paralelo, geólogos analisam a composição e a espessura das camadas para reconstituir ambientes deposicionais e variações climáticas.
Qual é a relação entre as pegadas de dinossauro, o parque e os Jogos Olímpicos
O campo de pegadas está inserido no Parque Nacional Stelvio, área protegida que também integra o cenário de preparação para os Jogos Olímpicos de Inverno de 2026.
Esse contexto junta património natural, desporto e ciência em uma mesma paisagem alpina.
A combinação cria oportunidades para projetos educativos e de divulgação sobre geologia, paleontologia e conservação.
Ao mesmo tempo, exige medidas rigorosas de proteção, já que as pegadas representam um registo irrepetível de um período crítico da história da Terra.
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