Janaína questiona por que caso Master foi parar no STF
“Um pedaço de papel encontrado em busca e apreensão, citando lateralmente o nome de um único Deputado Federal, justifica levar toda uma investigação para o STF?”
Vereadora de São Paulo, Janaína Paschoal (PP) chamou a atenção nesta sexta-feira, 26, para o pretexto que levou o ministro Dias Toffoli (foto) a monopolizar as investigações sobre o Banco Master.
“A pergunta inicial é a seguinte: ‘um pedaço de papel encontrado em busca e apreensão, citando lateralmente o nome de um único Deputado Federal, justifica levar toda uma investigação para o STF?’”, questionou a vereadora em seu perfil no X.
A defesa de Daniel Vorcaro, presidente do Master que está hoje em prisão domiciliar, monitorado por tornozeleira eletrônica, utilizou como base para a reclamação ao STF um contrato imobiliário apreendido que faz referência ao deputado federal João Carlos Bacelar (PL-BA).
Segundo Janaína, “tal indagação ganha força, quando se sabe que uma das advogadas é esposa de um dos Ministros e o Ministro Relator, que decretou inexplicável sigilo absoluto, viajou com outro advogado da mesma instituição investigada”.
“Nesse contexto, estranho seria a Imprensa não questionar. Não importa quem seja a fonte, nem se o interesse é da direita ou da esquerda, importam os fatos, que precisam ser esclarecidos, com destaque para os valores envolvidos, completamente dissociados da prática do mercado”, completou.
Toffoli e Moraes
Alexandre de Moraes entrou nessa história porque sua mulher advoga para o Banco Master, que mantinha um contrato de 129 milhões de reais com o escritório de Viviane Barci de Moraes.
O jornal O Globo informou que Moraes buscou o presidente do Banco Central, Gabriel Galípolo, para interceder em favor do Master na tentativa de venda para o BRB. O ministro do STF nega.
Já Toffoli, que monopolizou as investigações sobre o Master em decisão controversa, viajou com um dos advogados que atua no caso e marcou uma heterodoxa acareação entre o presidente do Master, o ex-presidente do BRB e um diretor do Banco Central para ocorrer no recesso judiciário.
Sem precedentes
Pior: Toffoli convocou a acareação sem a provocação e contra a vontade da Procuradoria Geral da República (PGR), que considera o procedimento “prematuro”.
O procurador regional da República em Brasília Vladimir Aras destacou que o Código de Processo Penal “não prevê a acareação entre o investigador e o investigado”.
Procurador da República em Goiás, Hélio Telho também disse que a reunião agendada por Toffoli “é sem precedentes na história judicial brasileira e não tem previsão na lei”.
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