Retrospectiva: o dia que Lula classificou como ‘matança’ operação contra o CV
Além disso, o presidente da República também recomendou a abertura de investigação sobre o caso
Em entrevista a correspondentes internacionais em 4 d novembro, o presidente Lula classificou como “matança” a operação realizada na semana passada no Rio de Janeiro contra o Comando Vermelho. A operação resultou em aproximadamente 120 mortes, mas foi considerada uma das mais exitosas pela população fluminense.
Além disso, o presidente da República também recomendou a abertura de investigação sobre o caso.
“Vamos ver se a gente consegue fazer essa investigação. Porque a decisão do juiz era uma ordem de prisão, não tinha uma ordem de matança. E houve matança“, disse o presidente da República na entrevista à Associated Press e Reuters.
“Nós estamos tentando essa investigação. Inclusive estamos tentando ver se é possível os legistas da Polícia Federal participarem do processo de investigação da morte, como é que foi feito, porque tem muitos discursos, tem muita coisa”, acrescentou o petista.
“Eu acho que é importante a gente verificar em que condições ela [a operação] se deu, porque até agora nós temos uma versão contada pela policia, contada pelo governo do estado e tem gente que quer saber se tudo aquilo aconteceu do jeito que eles falam ou se teve alguma coisa mais delicada na operação”, prosseguiu ele.
O presidente da República classificou ainda a operação como “desastrosa”.
“O dado concreto é que a operação, do ponto de vista da quantidade de mortes, as pessoas podem considerar um sucesso, mas do ponto de vista da ação do Estado, eu acho que ela foi desastrosa”, declarou Lula.
Essa foi a primeira fala do petista em entrevistas sobre o assunto.
Uma semana antes, pouco mais de 24 horas após a operação, o petista defendeu um “trabalho coordenado” capaz de “atingir a espinha dorsal” do tráfico de drogas, sem colocar em risco a vida de policiais e civis, em publicação no X – antigo Twitter. O tom também foi diametralmente oposto à fala desta terça-feira.
“Não podemos aceitar que o crime organizado continue destruindo famílias, oprimindo moradores e espalhando drogas e violência pelas cidades. Precisamos de um trabalho coordenado que atinja a espinha dorsal do tráfico sem colocar policiais, crianças e famílias inocentes em risco“, declarou o petista.
Pesquisa aponta reprovação da população à política de segurança de Lula
Pesquisa Genial/Quaest divulgada neste sábado, 1o, aponta ampla desaprovação dos fluminenses à política de segurança pública do governo Lula (PT).
Segundo o levantamento, 60% dos entrevistados no Rio de Janeiro avaliam negativamente a atuação do Planalto na área, enquanto apenas 18% consideram positiva. Outros 22% classificam a gestão como regular.
Mais da metade dos entrevistados, 53%, afirmam que o governo federal não tem colaborado com os estados no combate ao crime organizado. Outros 24% avaliam que a ajuda é insuficiente, e apenas 14% dizem que o apoio é significativo.
Questionados sobre quem estaria mais preparado para enfrentar as organizações criminosas, 31% citaram o governo federal, 30% as polícias estaduais e 28% o Exército.
A pesquisa também avaliou o impacto da declaração de Lula de que “os traficantes são vítimas dos usuários”, feita durante viagem à Ásia.
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