E o resultado das eleições em Honduras?
Lentidão na recontagem e denúncia de fraude adiam definição; Candidato de Trump lidera o pleito com 99,93% das urnas apuradas
Os hondurenhos seguem aguardando a possível divulgação oficial dos resultados das eleições presidenciais nesta quarta-feira, 24.
O pleito foi realizado em 30 de novembro e, até o momento, 99,93% dos votos foram apurados. Apesar disso, ainda persistem reivindicações e críticas em razão do atraso na proclamação do resultado final, além de questionamentos relacionados à contagem especial de pelo menos 333 votos com inconsistências.
Segundo dados preliminares do Conselho Nacional Eleitoral (CNE), o ex-prefeito de Tegucigalpa e apoiado por Donald Trump, Nasry ‘Tito’ Asfura, candidato pelo Partido Nacional, lidera a disputa com 40,27% dos votos.
Em 18 de dezembro, teve início a recontagem especial de 2.792 boletins de votação que apresentaram irregularidades. No entanto, entre a noite de terça-feira e as 9h da manhã desta quarta-feira, apenas 62 boletins foram reavaliados, apesar da disponibilidade de ao menos 150 mesas eleitorais instaladas no Centro Logístico Eleitoral (CLE).
A secretária do Conselho Nacional Eleitoral, Telma Martínez, propôs na terça-feira, 23, que o plenário do órgão, composto por representantes do partido governista e da oposição, declare os resultados da eleição presidencial sem aguardar a conclusão da recontagem especial.
O candidato do Partido Liberal, Salvador Nasralla, que aparece em segundo lugar com 39,53% dos votos, solicitou oficialmente a recontagem total dos votos. Ele alega que houve fraude para beneficiar Asfura.
Pela legislação hondurenha, o CNE tem até a próxima terça-feira, 30, para proclamar oficialmente o novo presidente do país.
Contagem de votos sob suspeita
Em reação às alegações de manipulação do resultado, o CNE anunciou que realizaria uma recontagem das atas com “inconsistências”.
A apuração inicial sofreu interrupções recorrentes devido a falhas nos sistemas informáticos. Contudo, o início desse procedimento, que deveria ser fiscalizado pelas legendas políticas, permanece pendente.
O Partido Liberal, de Nasralla, exige que a totalidade dos votos seja recontada.
O candidato afirma que o CNE deseja revisar apenas 39% das atas questionáveis. Segundo Nasralla, este número de atas representa doze vezes a vantagem atualmente desfrutada por Asfura. Conselheira eleitoral Cossette López declarou que “estão exercendo pressões ilícitas sobre o CNE, exigindo recontagens à margem da lei”, conforme publicado no X.
Apesar do atraso na divulgação dos números conclusivos ser considerado “não é justificável” pela Organização dos Estados Americanos (OEA), a missão eleitoral do bloco continental não encontrou “quaisquer indícios que lancem dúvidas sobre os resultados”. De maneira similar, observadores da União Europeia junto à OEA também asseguraram não terem verificado “nenhuma irregularidade” que pudesse comprometer os resultados provisórios.
Polarização e influência americana
Trump tem expressado apoio a Nasry Asfura.
A ideia é consolidar um bloco alinhado à direita na América Latina. Trump avisou sobre as “consequências graves” para Honduras, caso os resultados favoráveis a Asfura fossem alterados.
A intervenção americana também envolveu o indulto concedido ao ex-presidente hondurenho Juan Orlando Hernández, do mesmo partido de Asfura, que cumpria pena nos Estados Unidos por delitos de narcotráfico.
A atual presidente de Honduras, Xiomara Castro, insiste na culpabilidade de Hernández e considera a “interferência” de Trump, junto a supostas irregularidades como coação eleitoral por grupos criminosos, um “golpe eleitoral”.
Rixi Moncada, candidata da esquerda que ficou em terceiro lugar, também afirma que não reconhecerá o desfecho do processo, citando “interferência estrangeira” e eleições que não foram livres.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)