“Daremos passos necessários para nossa vitória”, diz María Corina
Líder da oposição venezuelana evita detalhar estratégia, mas promete retorno “muito em breve” ao país
María Corina Machado (foto), líder da oposição venezuelana, divulgou em suas redes sociais, nesta quarta-feira, 24, uma mensagem de Natal emotiva direcionada ao povo venezuelano.
Em vídeo de sete minutos, narrado por ela, a opositora afirma que, nos próximos dias, serão dados passos “necessários” rumo à “vitória”, mas evitou detalhar a estratégia. María Corina prometeu retornar “muito em breve” à Venezuela para “concretizar a fase definitiva da luta”.
“Seguimos avançando. Estejamos onde estejamos, o trabalho não para. Durante os próximos dias, daremos novos passos, todos necessários para nossa vitória. Passos, cuja explicação detalhada vou me reservar neste momento porque sei que nossa gente entende melhor do que ninguém. E em breve, muito em breve, estarei de volta à Venezuela para concretizar, junto a cada um de vocês, a fase definitiva da nossa luta. Uma luta que já é universal e que todo mundo livre nos acompanha. Por isso, recordemos sempre. Deus nos preparou para uma luta que vamos ganhar”, diz.
Geração venezuelana
Em outro trecho da mensagem, María Corina exaltou a resistência do povo venezuelano e comntou sobre o futuro do país.
“Queridos venezuelanos, chegamos a este Natal após meses de avanços concretos e decisões firmes, que nos asseguraram o rumo e os frutos da nossa luta. Uma luta que foi dura e difícil. Hoje quero que chegue a vocês uma mensagem cheia de carinho e admiração. A esperança que vocês me dão, eu quero compartilhar com todos vocês.
(…) A Venezuela do futuro será extremamente forte, porque se levanta com o esforço da geração mais forte e valente que nosso país já conheceu. Por isso, conhecemos – mais do que ninguém – o valor da palavra, da solidariedade. Essa fortaleza é uma garantia de uma mudança que já está em curso. Não é só irreversível, como também será organizado, justo e transparente.”
Nobel da Paz
María Corina relatou ainda as dificuldades de deixar o esconderijo onde permaneceu por cerca de 16 meses e viajar a Oslo, na Noruega, para receber o Prêmio Nobel da Paz. Segundo ela, apesar dos riscos, sua presença era fundamental para a causa venezuelana.
“A maior prova é que a nossa luta, assim como cada um de nossos valentes cidadãos, foi distinguida com o mais alto reconhecimento que a humanidade entrega. O Prêmio Nobel da Paz. Demos conta de que o mundo todo está com a gente. Nos acompanha, nos admira e nos apoia. Fizemos com que a verdade brilhe sobre a mentira. Trabalhamos duro para alcançar uma vitória que é muito difícil, mas também grandiosa e iminente. Após mais de 16 meses na clandestinidade, saí do país para representar os venezuelanos e receber, em seu nome, um reconhecimento que pertence a todos nós. E que levarei de volta à Venezuela.
Não foi uma decisão fácil. Como sempre disse, eu deveria estar lá, onde seria mais útil para a nossa causa. Isso foi algo que avaliei e decidi cada dia que permaneci na clandestinidade na Venezuela. Nesta ocasião, era necessário chegar presencialmente a Oslo para dar visibilidade, ainda mais, à nossa luta e aumentar nosso apoio externo. Com o apoio de Deus, e apesar de muitos grandes obstáculos, essa missão se cumpriu”, disse, complementando:
“Poder abraçar meus filhos, minha mãe, minhas irmãs, meu esposo e os meus companheiros de luta depois de tanto tempo me deu uma força imensa. Enquanto abraçava, meu coração estava com cada mãe venezuelana que não pode abraçar. Essa é a razão de ser de toda a nossa luta.”
Presos políticos
Na gravação, María Corina enviou ainda uma mensagem aos familiares dos presos políticos e às pessoas que perderam ou têm entes queridos detidos pelo regime.
“Sabemos que cada avanço, que cada conquista nos exigiu sacrifícios dolorosos e nos trouxeram custos muito altos para nós, especialmente para nossos irmãos que sofrem com fome ou estão na solidão. Para quem está sem trabalho ou lutam cada dia para ir adiante em meio à tragédia econômica. Para nossos presos políticos, verdadeiros heróis da nossa terra. Para suas famílias, que carregam esta injustiça. Para quem, hoje, não pode abraçar a seus filhos, pais, irmãos. Essa luta é por cada um de vocês.”
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)