Brasil acusa EUA de violar carta da ONU por ações contra a Venezuela
Embaixador brasileiro pede cessar imediato do bloqueio naval e oferece o país como mediador do conflito
O embaixador do Brasil na ONU (Organização das Nações Unidas), Sérgio Danese (foto) acusou nesta terça-feira, 23, os Estados Unidos de violarem a Carta das Nações Unidas ao realizarem bloqueio naval a petrolíferos venezuelanos e manterem forças militares próximas ao país.
Durante reunião do Conselho de Segurança, o representante brasileiro pediu que as ações sejam imediatamente interrompidas.
“Somos e queremos permanecer uma região de paz, respeitando o direito internacional e com boas relações entre vizinhos. Senhor presidente, em vista do exposto, a força militar reunida e mantida pelos Estados Unidos nas proximidades da Venezuela e o bloqueio naval recentemente anunciado constituem violações da carta das Nações Unidas. Portanto, devem ser cessados imediata e incondicionalmente em favor do uso de instrumentos políticos e jurídicos amplamente disponíveis”, afirmou.
Danese destacou que o Brasil se coloca à disposição para mediar um diálogo entre os países.
“Brasil convida ambos os países para um diálogo genuíno, de boa fé e sem coerção. Como já declarou publicamente o presidente Lula, seu governo estará disposto a colaborar, se necessário e com o consentimento mútuo de EUA e Venezuela. O Brasil também estará disposto a apoiar qualquer esforço do secretário-geral”, finalizou.
Bloqueio a petroleiros na Venezuela
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou na terça-feira, 16, a imposição de um “bloqueio total e completo” a petroleiros que violassem as sanções comerciais dos EUA, tanto na chegada quanto na partida da Venezuela.
A decisão americana visa aumentar a pressão contra o regime.
Em resposta à decisão do presidente americano, Maduro ordenou a mobilização da Marinha da Venezuela para acompanhar navios-tanque que transportam petróleo e seus derivados.
Maduro conversou por telefone com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, para denunciar o que chamou de “escalada de ameaças” após o anúncio do bloqueio.
O ministério venezuelano das Relações Exteriores divulgou uma nota, criticando as declarações de Trump de que o petróleo e o território venezuelanos pertenceriam aos EUA. Maduro afirmou que tais declarações “devem ser categoricamente rejeitadas pelo sistema das Organizações das Nações Unidas, pois constituem uma ameaça direta à soberania, ao direito internacional e à paz”.
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