Bukele ironiza denúncia de Hillary Clinton sobre torturas em megaprisão
Presidente de El Salvador diz estar disposto a libertar todos os presos, desde que outros países aceitem recebê-los
O presidente de El Salvador, Nayib Bukele, respondeu à ex-secretária de Estado dos Estados Unidos Hillary Clinton após acusações de maus-tratos a criminosos no Centro de Confinamento do Terrorismo (CECOT), considerado o maior presídio das Américas.
Em postagem no X, Bukele afirmou que o país estaria disposto a libertar todos os presos — “incluindo todos os líderes de gangues” — desde que todos fossem transferidos para outros países.
“Se você está convencida de que tortura está ocorrendo na CECOT, El Salvador está pronto para cooperar plenamente. Estamos dispostos a libertar toda a nossa população carcerária (incluindo todos os líderes de gangues e todos aqueles descritos como “presos políticos”) para qualquer país que esteja disposto a recebê-los. A única condição é simples: tem que ser todo mundo.”
Bukele também ironizo o trabalho de jornalistas e organizações não governamentais críticas ao seu governo. Segundo ele, os criminosos libertados estariam “disponíveis para entrevistas”.
“Isso também ajudaria muito os jornalistas e suas ONGs favoritas, que teriam milhares de ex-presidiários disponíveis para entrevistas, tornando muito mais fácil encontrar vozes adicionais críticas ao governo salvadorenho (ou dispostas a confirmar quaisquer conclusões já esperadas).
Certamente, se esses depoimentos refletem uma realidade sistêmica, um conjunto muito maior de fontes só reforçaria essa alegação, e muitos governos deveriam estar ansiosos para oferecer proteção. Até lá, continuaremos priorizando os direitos humanos dos milhões de salvadorenhos que hoje vivem livres do domínio das gangues. Respeitosamente, Nayib Bukele”, finalizou.
“Sem provas”
No X, Hillary compartilhou um documentário da rede PBS que relata a história de pessoas que teriam sido deportadas pelos Estados Unidos para o CECOT sem provas.
“Tem curiosidade em saber mais sobre a CECOT? Ouça Juan, Andry e Wilmer compartilharem em primeira mão como o governo Trump os rotulou como membros de gangues sem provas e os deportou para a brutal prisão de El Salvador”, escreveu a americana no X.
O vídeo reúne depoimentos de ex-detentos que afirmam ter sofrido maus-tratos, tortura e vivido em condições consideradas subumanas.
Maior prisão das Américas
Em 2024, Bukele inaugurou o complexo penitenciário chamado de Centro de Confinamento do Terrorismo (Cecot), considerado o maior presídio das Américas.
A estrutura tem capacidade para 40 mil presos em uma área de 166 hectares.
O perímetro é vigiado por 19 torres de segurança, além de ter um muro de concreto de 11 metros de altura e 2,1 quilômetros de extensão.
Caso um detento fuja, a área ainda conta com o patrulhamento de seguranças no perímetro externo e um helicóptero fica a postos para identificar o prisioneiro.
Atualmente, a prisão abriga mais de 12 mil detentos das gangues MS-13 e Barrio 18.
O governo de El Salvador construiu a estrutura para aliviar a superlotação no país e se tornar um marco da luta contra gangues.
Em 2022, Bukele conseguiu no Congresso a aprovação de um estado de exceção no país.
Desde então, a rigidez no combate ao crime organizado foi alvo de críticas de ONGs ligadas aos direitos humanos de El Salvador e internacionais.
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