Venezuela mobiliza Marinha para escoltar petroleiros após bloqueio de Trump
Maduro denuncia “escalada de ameaças” à soberania na Organização das Nações Unidas; Casa Branca avalia resposta
Nicolás Maduro ordenou a mobilização da Marinha da Venezuela para acompanhar navios-tanque que transportam petróleo e seus derivados, em resposta à decisão do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, de impor um bloqueio à indústria petrolífera venezuelana. A medida eleva o nível de tensão militar na área do Mar do Caribe.
Diversas embarcações deixaram a costa leste do país com proteção naval entre a noite de ontem, 16, e a manhã desta quarta-feira, 17. Os deslocamentos foram registrados poucas horas após o anúncio da intenção de Washington de bloquear navios que mantêm relações comerciais com a Venezuela e estão sob sanções do Departamento do Tesouro americano.
Os navios partiram do porto de José, transportando ureia, coque de petróleo e outros subprodutos, tendo mercados asiáticos como destino final. A opção pela proteção militar foi uma reação direta às ameaças proferidas pelo governo venezuelano.
Trump impõe bloqueio e a tensão aumenta
O presidente Trump havia declarado na noite de terça-feira, 16, a imposição de um “bloqueio total e completo” a petroleiros que violassem as sanções comerciais dos EUA, tanto na chegada quanto na partida da Venezuela. A decisão americana visa aumentar a pressão contra o regime.
Conforme dados do cofundador do TankerTrackers.com, Samir Madani, cerca de 40% dos navios-tanque que movimentaram petróleo venezuelano em anos recentes já foram submetidos a sanções pelos Estados Unidos. Autoridades policiais americanas apreenderam recentemente um petroleiro sancionado, com destino à Ásia, que carregava cerca de dois milhões de barris de óleo venezuelano.
Navios-tanque que movimentam petróleo da Venezuela podem ser apreendidos nas próximas horas.
Apesar da escolta, os navios que navegavam sob proteção militar não estavam inclusos na relação atual de embarcações penalizadas pelos EUA. Fontes indicam que, em princípio, isso torna improvável que tais navios sejam alvos do bloqueio, visto que o presidente disse que a punição seria aplicada somente a alvos já sancionados.
Caracas reage
Uma fonte do governo americano confirmou que a Casa Branca tem conhecimento das escoltas navais e está avaliando diversas medidas. Contudo, a fonte não forneceu detalhes sobre o teor das discussões internas em Washington.
Em comunicado, a Petróleos de Venezuela S.A. (PDVSA) assegurou que os navios ligados às suas operações mantinham a navegação “com total segurança, suporte técnico e garantias operacionais no exercício legítimo de seu direito à livre navegação”.
Nicolás Maduro conversou por telefone com o secretário-geral da Organização das Nações Unidas (ONU), António Guterres, para denunciar o que chamou de “escalada de ameaças” após o anúncio do bloqueio.
O ministério venezuelano das Relações Exteriores divulgou uma nota, criticando as declarações de Trump de que o petróleo e o território venezuelanos pertenceriam aos EUA. Maduro afirmou que tais declarações “devem ser categoricamente rejeitadas pelo sistema das Organizações das Nações Unidas, pois constituem uma ameaça direta à soberania, ao direito internacional e à paz”.
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