Rio Branco já teve moeda própria e foi um país independente
Capital acreana viveu independência, teve bandeira e revolucionou a Amazônia
Rio Branco, capital do Acre, guarda uma história que parece ficção: já foi um país independente, teve moeda própria, viveu revoluções e hoje mistura passado amazônico, memória da borracha e turismo sustentável em pleno século XXI.
Rio Branco já foi um país independente com moeda própria?
No fim do século XIX, a região do Acre vivia uma febre da borracha, com milhares de migrantes, principalmente nordestinos, ocupando uma área oficialmente boliviana, mas totalmente ligada ao cotidiano brasileiro.
Em 1899, o espanhol Luís Galvez liderou o chamado Estado Independente do Acre, criando governo, bandeira e moeda, numa reação ao acordo da Bolívia com os Estados Unidos para explorar a borracha local.
Como o Acre deixou de ser país e passou a fazer parte do Brasil?
Os conflitos não pararam com Luís Galvez: seringueiros armados, sob liderança de Plácido de Castro, organizaram revoluções contra o controle boliviano, defendendo o domínio da região por quem realmente vivia e trabalhava ali.
Em 1903, o Brasil assinou com a Bolívia o Tratado de Petrópolis, pagando 2 milhões de libras esterlinas, cedendo terras no Mato Grosso e se comprometendo com a construção da Ferrovia Madeira-Mamoré, incorporando o Acre como território federal, status que durou até 1962, quando virou estado.

O que os geoglifos do Acre contam sobre civilizações antigas?
Bem antes da corrida da borracha, populações de 2.000 a 2.500 anos atrás já deixavam marcas impressionantes: enormes geoglifos geométricos espalhados pelo Acre, pela Bolívia e pela Amazônia ocidental.
- Geoglifos revelam estruturas geométricas perfeitas, associadas a cerâmicas, machadinhos e sementes, indicando ocupação humana intensa e organizada.
- Relatos de moradores longevos, como Severino, de 103 anos, registram décadas de visitas curiosas, incluindo turistas atraídos por essas marcas no solo.
- O Parque Chico Mendes tem 57 hectares e homenageia o seringueiro assassinado em 1988, tornando-se um símbolo da luta socioambiental na Amazônia.
- O espaço abriga zoológico com cerca de 287 animais resgatados, muitos irrecuperáveis para retorno à natureza, funcionando como centro de conservação.
Quer saber mais sobre o Acre? Veja no vídeo outras curiosidades impressionantes:
Como Rio Branco mistura sabores amazônicos, memória do rio Acre e turismo hoje?
No Mercado Velho e nos flutuantes às margens do rio Acre, a capital transforma história em experiência sensorial, com pratos que misturam influências indígenas, nordestinas e bolivianas. O tambaqui frito é um dos destaques, com combo em torno de R$ 25, acompanhado de receitas regionais.
O rio Acre, com cerca de 1.190 km, funcionou por décadas como principal via de transporte, num tempo em que viagens por terra podiam levar até 30 dias em estradas de barro. Hoje, com aproximadamente 387 mil habitantes e área de 8.800 km², Rio Branco aposta em bioeconomia, universidades e turismo sustentável para reduzir o isolamento histórico.
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