Argentina flexibiliza câmbio e define projeção de reservas
Medidas do governo Milei avançam em direção à livre flutuação da moeda, com plano de recomposição de ativos internacionais
O governo argentino, sob a presidência de Javier Milei, anunciou alterações substanciais em sua política cambial, sinalizando um movimento em direção à livre flutuação monetária. O Banco Central do país (BCRA) tem como objetivo recompor suas reservas internacionais, que se encontram em níveis reduzidos.
O conjunto de medidas representa um avanço para o programa monetário, pois o governo entende que as condições estão estabelecidas após a superação da instabilidade política gerada pelo pleito eleitoral. Investidores do mercado financeiro aguardavam há tempos por uma política cambial mais adaptável.
Mudanças no ritmo cambial e inflação
A partir de 2026, as bandas de flutuação cambial passarão a se desenvolver mensalmente conforme a taxa de inflação apurada no mês anterior. Esse novo mecanismo substitui o ajuste fixo de 1% atualmente em vigor.
A taxa de preços subiu 2,5% em novembro, indicando que a velocidade de ampliação das bandas poderia mais do que duplicar no futuro imediato. Analistas observaram que a taxa de câmbio esteve supervalorizada por grande parte dos primeiros dois anos do mandato de Milei.
De acordo com o Banco Central, “estão dadas as condições para avançar para uma nova fase do programa monetário”. A instituição acrescenta que essa fase oferece “condições favoráveis para o crescimento, a remonetização da economia e a acumulação de reservas internacionais”.
Plano de recomposição e reação do mercado
Especialistas preveem que uma aquisição de reservas “entre US$ 10 bilhões e US$ 15 bilhões no próximo ano é muito positiva”. O movimento sinaliza que a estratégia anterior de acúmulo de reservas era insuficiente, e o governo tenta agora aumentar o ritmo de recomposição de ativos.
Anteriormente, a equipe econômica havia priorizado a defesa do peso e o controle da inflação, em detrimento do acúmulo de ativos. A implementação dessas políticas representa a modificação mais relevante desde que a Argentina firmou um acordo de US$ 20 bilhões com o Fundo Monetário Internacional (FMI) em abril.
O FMI expressou recentemente que seria “difícil” para o país cumprir a próxima meta do programa de reservas, uma meta que já havia exigido uma dispensa no início deste ano.
A reação do mercado foi imediata: os títulos soberanos argentinos registraram alta em toda a curva de vencimentos. Os papéis com vencimento em 2035, que estão entre os de maior liquidez, avançaram mais de 1 centavo, aproximando-se de 73 centavos por dólar.
Apesar da aprovação dos investidores, o peso pode registrar um leve enfraquecimento como resultado direto da nova política, conforme análise de mercado.
O anúncio ocorreu após o encerramento do pregão local, com o peso cotado a 1.438,5 por dólar. Milei avançou com essa flexibilização após obter uma vitória nas eleições legislativas de outubro, garantindo que seus aliados se tornassem o maior bloco na nova legislatura.
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