Cientistas estão incrédulos com espécie com mais de 100 milhões de anos encontrada na Espanha
Em El Soplao, um pedaço de âmbar preservou, com nitidez rara, uma nova espécie de vespa que viveu há cerca de 105 milhões de anos
Entre montanhas verdes e antigos túneis mineiros, um pequeno fragmento de resina fossilizada transformou Cantábria em referência mundial para o estudo de animais pré-históricos e em El Soplao, um pedaço de âmbar preservou, com nitidez rara, o fóssil de nova espécie de vespa que viveu há cerca de 105 milhões de anos, no Período Cretáceo, acrescentando detalhes importantes sobre a evolução desses insetos e reforçando a relevância do âmbar espanhol para a paleontologia.
Como foi descoberta e analisada a nova vespa fóssil de El Soplao
A descoberta resultou do trabalho conjunto de especialistas europeus e asiáticos, que usaram técnicas de imagem de alta resolução para examinar o animal preso na resina.
Assim, obtiveram um retrato microscópico em três dimensões, com asas, antenas e pernas preservadas, permitindo estudar o inseto em detalhe.
Essas análises mostram que cada novo exemplar não é apenas um nome na lista de espécies, mas uma peça essencial para reconstruir os ecossistemas que existiam na Europa cretácica. A vespa de El Soplao tornou-se um marco nesse processo de reconstituição do passado.
O que torna a vespa fóssil de El Soplao uma espécie singular
A nova vespa fóssil pertence ao grupo das avispas evanídeas, insetos parasitas de ovos de outros artrópodes.
O exemplar apresenta um conjunto de características anatômicas inédito, o que levou à criação de um novo nome científico e à revisão da classificação interna do gênero a que pertence.
Por meio de microscopia confocal e reconstruções tridimensionais digitais, os pesquisadores destacaram a venação das asas, o formato do tórax, a disposição das patas e a morfologia das antenas.
A combinação de tamanho, forma e traços anatômicos não coincide com registros conhecidos de depósitos do Cretáceo na China ou em Myanmar.
Descubren en Cantabria una avispa fósil de 105 millones de años.
— Ciencia1.com (@Ciencia1com) December 4, 2025
En la cueva de El Soplao, en Cantabria, España, un equipo internacional de investigadores ha realizado un hallazgo que amplía nuestro conocimiento sobre la vida en el pasado remoto: una avispa fósil conservada en… pic.twitter.com/MPS3Ch9d4w
Por que o âmbar de El Soplao é valioso para estudar animais pré-históricos
O âmbar funciona como uma cápsula do tempo, preservando não só partes duras, mas também tecidos moles, pigmentos, fungos, pólen e microestruturas raras em outros tipos de fósseis.
Em El Soplao, essa capacidade é ampliada por milhares de inclusões que registram animais pré-históricos em plena atividade.
Na antiga área costeira entre Herrerías, Valdáliga e Rionansa, fluxos de resina envolveram pequenos organismos e foram soterrados por sedimentos, originando um grande inventário de vida do Cretáceo.
Entre esses materiais destacam-se:
- Mais de 1.500 inclusões fósseis já registradas no âmbar de El Soplao.
- Dezenas de espécies novas para a ciência oficialmente descritas.
- Registros de interações ecológicas, como parasitismo e polinização.
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🐝Un fósil conservado en ámbar revela una nueva especie de #avispa de más de 100 millones de años
— CSIC (@CSIC) December 4, 2025
📍Descubierta en El Soplao (Cantabria), se caracteriza por su gran tamaño y rasgos únicos, como la estructura de las antenas
⛏️Participa el @IGME1849 👉 https://t.co/zrbu93v9HE pic.twitter.com/XAbErm81Ag
Qual é o papel da vespa fóssil na reconstrução do Cretáceo europeu
No Cretáceo médio, a Península Ibérica formava um arquipélago de ilhas com vegetação diversa, répteis, insetos e plantas com flor em expansão.
As vespas evanídeas atuam como fósseis-guia, auxiliando na datação das camadas rochosas em que aparecem e na comparação de jazidas entre continentes.
A vespa de cerca de 105 milhões de anos de El Soplao contribui para refinar a cronologia dos depósitos e ajustar modelos sobre a distribuição dos animais pré-históricos.
Ao ser comparada a espécies semelhantes em outros países, ajuda a entender como certas linhagens se expandiram e se diversificaram.
Por que El Soplao continua sendo um sítio científico estratégico
Levantamentos até 2025 indicam que o potencial de El Soplao está longe de se esgotar, com novas áreas em estudo e número crescente de espécies descritas.
A colaboração entre pesquisa acadêmica, financiamento público e equipes internacionais mantém o sítio como referência mundial em fósseis em âmbar.
Para Cantábria, El Soplao une destaque científico e interesse turístico, valorizando um patrimônio natural e geológico singular.
Para a paleontologia, cada nova vespa, besouro, planta ou fungo encontrado ali ajuda a compreender a formação dos ecossistemas que antecederam a biodiversidade atual.
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