Ele gastou 248 milhões em casa e hoje mora de favor no mesmo bairro
A queda do império começou com intervenção do Banco Central em 2005
A história da mansão mais cara do Brasil parece roteiro de série: um palácio de R$ 248 milhões, mais de 8.000 m², 80 cômodos, vidros à prova de bala e geradores para abastecer uma cidade, que hoje está largado no Morumbi, em São Paulo. O dono desse império foi Edemar Cid Ferreira, ex-banqueiro do Banco Santos, que saiu da ostentação máxima para morar de favor na mesma região onde seu antigo castelo apodrece em silêncio.
Como era o palácio futurista mais caro do Brasil?
Construída por cerca de R$ 143 milhões e projetada pelo arquiteto Rui Ohtake, a mansão parecia uma fortaleza de filme de ficção científica. Os vidros eram à prova de bala, com sistema de embaçamento para garantir privacidade imediata, e a estrutura incluía três elevadores pneumáticos cruzando os vários andares da casa.
O terreno abrigava garagem para 24 carros com isolamento contra invasões e heliponto a poucos minutos da sede do Banco Santos. Era uma combinação de bunker de segurança máxima com vitrine de luxo extremo, pensada para impressionar empresários, autoridades e colecionadores.

Quais eram os luxos mais extravagantes dessa propriedade?
Por dentro, a casa levava a palavra “exagero” ao limite: piscina interna aquecida, academia particular e piso de mármore francês com aquecimento embutido deixavam o clima de resort permanente. A sala de jantar principal recebia até 24 pessoas em volta de uma mesa de mogno de 1850 avaliada em R$ 650 mil, iluminada por uma luminária dourada alemã de cerca de R$ 700 mil.
Para manter tudo funcionando, três geradores garantiam energia para o equivalente a 5.000 residências, além de climatizadores especiais dedicados às obras de arte. As paredes exibiam detalhes em ouro, madeiras africanas, mármores importados e ambientes preparados para vinhos raros, com uma adega climatizada para cerca de 5.000 garrafas.
Quer ver o palácio por dentro? Confira imagens aéreas dessa ruína:
O que aconteceu com as milhões em obras de arte?
Além da estrutura física, o que fazia da mansão um museu particular eram as mais de 2.000 obras de arte avaliadas em milhões de dólares. Havia peças de artistas como Candido Portinari, Bruno Giorgi, Victor Brecheret, Tarsila do Amaral, Frank Stella e Maria Martins, além de esculturas e azulejos portugueses pintados à mão.
Com a falência, o que antes era protegido virou cenário de deterioração: vinhos estragaram sem climatização, obras foram queimadas ou danificadas pela falta de cuidado. Cerca de 130 peças se perderam para sempre, incluindo trabalhos de Portinari e Stella, que acabaram destruídos antes de qualquer tentativa de resgate.
Como o banqueiro passou da ostentação à miséria?
O colapso começou em 2005, quando o Banco Central interveiu no Banco Santos, alegando fraudes bilionárias e um rombo estimado em R$ 2,7 bilhões. Despejado após cerca de 25 anos na mansão, o ex-banqueiro passou a morar de favor na casa de um amigo, também no Morumbi, trocando rótulos caríssimos por vinhos chilenos baratos.
A antiga residência, arrematada em leilão por cerca de R$ 7,5 milhões pelo bilionário João Alves de Queiroz, acumula histórias de gastos mensais de R$ 200 mil e hoje aparece em vídeos de drone como símbolo de ostentação vazia.
Os comentários não representam a opinião do site; a responsabilidade pelo conteúdo postado é do autor da mensagem.
Comentários (0)