Galeria Magalu abre as portas no Conjunto Nacional
Nova loja conceito na Avenida Paulista abriga primeira unidade física da Estante Virtual e mantém elementos da antiga Livraria Cultura
O Grupo Magalu inaugurou a Galeria Magalu, uma loja conceito situada no Conjunto Nacional, em São Paulo. O empreendimento, que abriu oficialmente ao público na terça-feira, 9, materializa o ecossistema da corporação, reunindo as cinco marcas principais do grupo, incluindo a Estante Virtual (EV).
O novo espaço ocupa o endereço que, por décadas, foi o ponto de acesso à Livraria Cultura, parada quase obrigatória para os paulistanos e turistas que passavam pela capital. A ideia é preservar o simbolismo do local, conforme indicado pela manutenção de características arquitetônicas e um compromisso de “honrar a memória da Cultura”.
A Galeria também hospeda um teatro e uma exposição de arte, funcionando como um showroom das marcas do grupo.
A estratégia multicanal da Estante Virtual
A estreia da Estante Virtual em loja física é um movimento que marca a transição da empresa para o modelo multicanal, abrangendo agora aplicativo, site e livraria. O executivo André Palme, que lidera a EV desde junho, afirmou que a reintegração de uma livraria ao espaço representa uma responsabilidade considerável, dada a importância histórica do local.
A área da Estante Virtual dentro da Galeria possui cerca de 100 metros quadrados e oferece um acervo de aproximadamente 10 mil exemplares, distribuídos em cinco mil títulos distintos.
A maior parte do estoque é composta por obras novas, mas o espaço reserva prateleiras para os sebos, que constituem a espinha dorsal do modelo de negócios da Estante Virtual. A empresa trabalha com seis mil livreiros em todo o Brasil e disponibiliza 22 milhões de obras em seu site, sendo a livraria com o maior número de livros à venda no país. O CEO do Magazine Luiza, Frederico Trajano, destacou que interagir com sebos e livreiros é uma missão da companhia.
No entanto, a implementação do modelo marketplace (onde diversos vendedores operam) no formato físico apresenta desafios fiscais. A solução encontrada para a loja do Conjunto Nacional foi a aquisição direta dos livros dos sebos para revenda, seguindo o modelo 1P (“first party”). O executivo explicou que levar o estoque do vendedor fisicamente para a Galeria ainda é uma questão de difícil resolução. Ele acrescentou que o grupo buscará futuras soluções para os marketplaces.
Preservação da memória e novos espaços
A presidente do Conselho de Administração, Luiza Trajano, falou sobre o compromisso de recuperar o antigo espaço da Cultura. Ela explicou que a Estante Virtual é uma das prioridades da empresa. Em demonstração de respeito, algumas características físicas da antiga livraria foram mantidas, incluindo a famosa escultura Dragão, que permanece suspensa no teto da ágora principal.
Em conjunto com Sérgio Herz, CEO da Livraria Cultura, Luiza Trajano assinou uma carta direcionada aos frequentadores, reconhecendo o impacto que o local teve na vida de muitas pessoas. Um trecho da correspondência afirma: “Sabemos o quanto este espaço no Conjunto Nacional marcou a vida de tanta gente. A Cultura foi, por décadas, um ponto de encontro e pertencimento”. A carta assegura que, embora a antiga loja tenha fechado, “o seu espírito, não”.
A Galeria abriga também o Teatro Youtube – Sala Eva Herz, que sediará apresentações teatrais, espetáculos e produções focadas em criadores de conteúdo, incluindo influenciadores literários. O projeto é resultado de uma parceria entre Magalu, Google e Aventura. Adicionalmente, o piso térreo inclui o Espaço Pina, uma galeria que exibe peças de arte do acervo da Pinacoteca de São Paulo. A primeira mostra no local é “Jogo de Cena – obras do acervo da Pinacoteca de São Paulo”, com obras de diversos artistas.
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