A montanha brasileira que parece tocar o céu e divide três países com um cenário digno de outro planeta
O gigante da tríplice fronteira que guarda o verdadeiro Mundo Perdido entre Brasil, Venezuela e Guiana
Monte Roraima não é apenas uma montanha, é uma ilha flutuante no céu que divide as fronteiras do Brasil, Venezuela e Guiana. Conhecido mundialmente como “O Mundo Perdido”, este tepui (montanha em formato de mesa) é uma das formações geológicas mais antigas da Terra, servindo de portal para uma experiência que mistura desafio físico e misticismo.
Apesar de carregar o nome do estado brasileiro de Roraima, o acesso para o trekking tradicional é feito pela cidade venezuelana de Santa Elena de Uairén, facilmente acessada via terrestre a partir de Boa Vista. A região vizinha inclui a majestosa Gran Sabana, criando um cenário de savanas infinitas antes de chegar aos paredões verticais que tocam as nuvens.
Por que escalar um tepui é uma experiência transformadora?
Diferente das montanhas pontiagudas, o Roraima é um platô gigantesco com mais de 30 quilômetros quadrados de topo, criando um ecossistema isolado que evoluiu de forma única. Subir até lá é como viajar no tempo para a era pré-histórica, onde a paisagem lunar, repleta de rochas negras e esculturas naturais, faz você se sentir em outro planeta.
A energia do lugar é palpável. Para a mitologia indígena local, o tepui é sagrado, muitas vezes associado à morada de deuses ou à “Mãe de todas as Águas”. A conexão com a natureza bruta, sem sinal de celular ou conforto urbano, gera um alívio mental imediato e uma sensação de conquista indescritível.

O que fazer no topo: um roteiro pelas nuvens
Chegar ao cume é apenas o começo; o verdadeiro tesouro está em explorar o platô. As Jacuzzis são paradas obrigatórias: piscinas naturais com fundo de cristais e águas geladas, mas revigorantes, onde os viajantes se banham para renovar as energias.
Para quem busca vistas impactantes, o mirante La Ventana oferece o visual mais icônico da expedição, de onde se vê a parede vertical do vizinho Monte Kukenan. Outro ponto alto, literalmente, é a Pedra Maverick, o local mais elevado do tepui, de onde se tem uma visão 360 graus da imensidão da selva e da savana lá embaixo.
Não deixe de caminhar até o Ponto da Tríplice Fronteira, um marco geográfico em formato piramidal onde você pode estar em três países ao mesmo tempo. O caminho até lá passa pelo impressionante Vale dos Cristais, onde o chão brilha com milhares de pedras de quartzo (que devem permanecer lá, é proibido levar).

Quem sonha em encarar a jornada para o Monte Roraima, o ‘Mundo Perdido’ na fronteira do Brasil com a Venezuela, vai curtir esse vídeo especialmente selecionado do canal Rolê Família, que conta com mais de 1,4 milhão de visualizações, onde Bruno e sua equipe mostram detalhadamente a expedição de 7 dias e 110 km, mostrando paisagens únicas como La Ventana, o poço natural El Fosso e o Vale dos Cristais, além de toda a logística e a cultura dos guias indígenas:
Qual é a melhor época para encarar o desafio?
O clima no tepui é peculiar e muda rapidamente, mas entender as estações ajuda no planejamento. A região é úmida o ano todo, mas existe uma “janela seca” onde as chuvas dão uma trégua e as trilhas ficam menos lamacentas.
Confira abaixo o comportamento do clima para escolher a data da sua expedição, com base em médias históricas da região:
| Período | Temperatura no Topo | Condição Climática |
|---|---|---|
| Alta Temporada (Dez a Mar) | 5°C a 20°C | Época mais seca. Dias ensolarados, noites frias e céus estrelados. |
| Meia Estação (Abr e Nov) | 5°C a 18°C | Clima instável. Mistura sol e chuva, ideal para ver orquídeas. |
| Temporada Verde (Mai a Out) | 2°C a 15°C | Muitas chuvas. Cachoeiras estão cheias e a neblina cria um ar místico. |
Curiosidades e segredos que a montanha guarda
Você sabia que este local inspirou o clássico “O Mundo Perdido”, de Arthur Conan Doyle? Embora o escritor nunca tenha visitado o local pessoalmente, ele ficou fascinado pelos relatos das expedições britânicas sobre a fauna e flora exóticas do Roraima, imaginando dinossauros sobrevivendo isolados no topo.
Outro segredo é a presença do Oreophrynella quelchii, um sapinho preto minúsculo, menor que uma moeda, que não pula. Como ele não tem predadores naturais no topo e o chão é rochoso, ele evoluiu para caminhar e, em caso de perigo, se encolhe e rola como uma pedrinha para se proteger. Ele é endêmico, ou seja, só existe lá em cima.

Prepare-se para uma logística desafiadora
A expedição clássica dura entre 6 a 9 dias e exige a contratação de guias, geralmente organizados a partir da comunidade indígena de Paraitepuy. A caminhada começa na savana quente, cruza rios e enfrenta a famosa “Rampa”, o trecho final de subida íngreme pela parede da montanha.
O pernoite é feito em barracas, muitas vezes montadas dentro de “hotéis” que, na gíria dos guias locais, são cavernas ou saliências rochosas naturais que protegem do vento e da chuva forte. A simplicidade do acampamento contrasta com a grandiosidade do ambiente.
O Monte Roraima espera por sua coragem
Esta não é uma viagem de férias comum; é uma jornada de autoconhecimento e superação física. Pisar no topo desse gigante de pedra é entender a pequenez humana diante da magnitude do tempo geológico.

Uma expedição para a vida toda
- A paisagem jurássica e o isolamento total proporcionam um “detox” digital e mental inigualável.
- O contato com a cultura indígena e a vida comunitária no trekking enriquecem a experiência cultural.
- A sensação de estar acima das nuvens, em um dos lugares mais antigos do planeta, é uma memória eterna.
Se você busca uma conexão real e primitiva com a Terra, comece a treinar e coloque o Monte Roraima como sua próxima meta de vida.
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