Brasil quase teve bomba atômica e você provavelmente não sabia disso

26.10.2026

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Redação O Antagonista
4 minutos de leitura 09.12.2025 16:43 comentários
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Brasil quase teve bomba atômica e você provavelmente não sabia disso

Programa nuclear paralelo operou em instalações secretas durante décadas sem fiscalização

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Brasil quase teve bomba atômica e você provavelmente não sabia disso - Créditos: depositphotos.com / rfphoto

Durante décadas, o Brasil correu silenciosamente atrás de algo que muitos só associam às grandes potências: a bomba atômica. De projetos escondidos na floresta amazônica a debates quentes em Brasília em 2025, a história nuclear brasileira mistura Guerra Fria, disputa regional, ciência de ponta e uma polêmica que voltou com força ao noticiário.

Como começou o segredo nuclear brasileiro?

O interesse brasileiro por energia e armamento nuclear ganhou corpo ainda nos anos 1950, no governo Getúlio Vargas, quando a tecnologia atômica virou símbolo de poder no mundo pós-Segunda Guerra. A ideia era não ficar para trás na corrida tecnológica e garantir autonomia estratégica frente às grandes potências.

Durante a ditadura militar, esse interesse ganhou um lado bem mais sombrio: o chamado “Programa Nuclear Paralelo”, tocado longe dos holofotes e fora dos acordos internacionais. Ali, Marinha, Exército e Aeronáutica se movimentavam em instalações clandestinas, com metas claras de chegar à arma nuclear.

Brasil quase teve bomba atômica e você provavelmente não sabia disso
Brasil quase teve bomba atômica e você provavelmente não sabia disso – Créditos: depositphotos.com / curraheeshutter

O que acontecia na Serra do Cachimbo e nos laboratórios secretos?

Um dos pontos mais simbólicos desse esforço foi a Serra do Cachimbo, no Pará, onde foram abertos poços planejados para testes subterrâneos de ogivas nucleares. Paralelamente, militares trabalhavam em projetos de bombas com potência estimada entre 12 e 30 quilotons, na mesma faixa da arma lançada sobre Hiroshima.

Para alimentar esses planos, era necessário dominar o enriquecimento de urânio e o ciclo do combustível. Parte da estratégia passava por parcerias discretas com instituições como a USP e o Instituto de Engenharia Nuclear no Rio de Janeiro, o que ajudava a driblar fiscalizações externas sob o rótulo de pesquisa científica.

Abaixo veja um vídeo explicando sobre o projeto da bomba atômica brasileira:

Por que Brasil e Argentina entraram em uma corrida nuclear?

Nos anos 60 e 70, Brasil e Argentina viveram uma espécie de “mini-Guerra Fria” particular, com ambos sob regimes militares e desconfiando das intenções um do outro. O receio em Brasília era de que Buenos Aires chegasse primeiro à bomba, o que desequilibraria o jogo de poder no Cone Sul.

Esse cenário se somou a um acordo bilionário com a Alemanha Ocidental, na década de 1970, para instalar até nove usinas nucleares e dominar todo o ciclo do combustível. Oficialmente, tudo tinha caráter “pacífico” e era seguido de perto pela Agência Internacional de Energia Atômica, mas, nos bastidores, as três Forças divergiam sobre prioridades estratégicas.

O que muda com a PEC de 2025 e a latência nuclear?

Com a Constituição de 1988, o Brasil restringiu formalmente o uso da energia nuclear a fins pacíficos, e em 1990 o então presidente Fernando Collor expôs ao público a existência do programa secreto, fechou poços de testes e revelou até o contrabando de cerca de 8 toneladas de urânio para o Iraque. Nos anos seguintes, vieram a fiscalização mútua com a Argentina (1991) e a adesão ao Tratado de Não Proliferação, em 1998.

Especialistas dos laboratórios de Los Alamos, nos Estados Unidos, classificam o país hoje como uma potência de “latência nuclear”, ou seja, com capacidade técnica para montar uma bomba em cerca de um ano, graças a estruturas como a fábrica de enriquecimento de Resende. Esse cenário voltou ao centro do debate com uma PEC apresentada em outubro de 2025, que propõe permitir armas nucleares para uso em caso de “grave ameaça” ao território, levantar a discussão sobre dissuasão militar e reacender alertas de organizações científicas preocupadas com sanções internacionais e impactos diplomáticos.

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