Rubio celebra um ano da Síria sem Assad: “Reafirmamos nosso apoio”
Governo Trump aproximou-se do sírio desde a deposição do ditador Bashar Assad
O secretário de Estado dos Estados Unidos, Marco Rubio, celebrou nesta segunda-feira, 8, o aniversário de um ano desde a queda da ditadura de Bashar Assad na Síria.
Em publicação no X, Rubio destacou o processo de transição conduzido pelo novo governo e reafirmou o apoio americano a uma “Síria pacífica e próspera”.
“Há um ano, o povo sírio escreveu uma nova página em sua história. Hoje, reconhecemos os passos significativos que o governo e o povo sírio deram na transição da Síria, bem como o apoio de parceiros internacionais. Honramos a resiliência do povo sírio e reafirmamos nosso apoio a uma Síria pacífica e próspera, que inclua suas minorias e esteja em paz com todos os seus vizinhos”, afirmou.
Comemoração
Desde a sexta, 5, milhares de sírios foram às ruas de Damasco para celebrar o primeiro aniversário do fim do regime.
Imagens nas redes sociais mostram manifestações em várias cidades do país, onde apoiadores exibem a nova bandeira oficial – nas cores verde, branca e preta – adotada pelo governo de transição.
A comemoração se espalhou entre os refugiados sírios em Berlim, na Alemanha, e em outras cidades europeias.
Queda de Assad
A deposição do regime ocorreu após uma ofensiva de aproximadamente 40 dias conduzida pelo grupo extremista Hay’at Tahrir al-Sham (HTS).
Assad fugiu para a Rússia com a família quatro dias antes da queda definitiva do governo, em dezembro, onde permanece exilado.
A euforia inicial com o fim da ditadura rapidamente deu lugar a um clima de incerteza.
Incertezas
O HTS preencheu o vazio institucional e seu líder, Mohammed al-Jolani, trocou trajes militares por ternos.
Rebatizado como Ahmed al-Shaara, o ex-comandante se autoproclamou presidente e prometeu pacificar o país.
O primeiro ano foi marcado por tensões sectárias, sobretudo contra alauítas, a minoria étnica da qual a família Assad faziam parte, e drusos.
Em um ano, houve conflitos sectários, sobretudo contra alauítas, a minoria-étnica da qual Assad e sua família fazia parte, e os drusos.
Apoio externo e união
Apesar do histórico jihadista, Sharaa prometeu unificar o país e não haver divisões secretárias.
Logo nos primeiros meses, buscou ajuda econômica da União Europeia.
Também se aproximou do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, com quem se reuniu no Salão Oval da Casa Branca.
Após a reunião, Trump suspendeu as sanções históricas impostas à Síria e elogiou publicamente o ex-terrorista.
Em setembro, Sharaa discursou na Assembleia-Geral da ONU, consolidando sua imagem como novo chefe de Estado sírio.
Assad na Rússia
Não houve qualquer apoio de Moscou ou do Irã para conter a ofensiva do HTS.
Desde então, Putin trata de esconder a presença de Assad.
Nenhuma foto do ditador sírio e de sua família foram divulgadas.
A família Assad comprou 18 apartamentos de luxo em um dos principais arranha-céus de Moscou, o city of Capitals.
De acordo com uma reportagem do jornal Financial Times, de 2019, o valor foi de 40 milhões de dólares.
As compras foram feitas por meio de empresas libanesas offshore após o início da guerra civil, em 2011.
Os membros da família também transferiram milhões de dólares para bancos russos.
Futuro
Com apoio dos Estados Unidos, a Síria busca se estabilizar após mais quarenta anos da ditadura Assad, passada de pai para filho.
O histórico do presidente potencializa a desconfiança do país.
No entanto, os sírios se permitem celebrar um ano do fim de um dos regimes mais sanguinários do Oriente Médio.
Resta saber se o governo de transição, de fato, convocará as eleições.
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