“Na Alerj preside a lei do silêncio da máfia”, diz Transparência Internacional
ONG criticou decisão da Assembleia Legislativa do Rio de derrubar prisão de Rodrigo Bacellar
A ONG Transparência Internacional – Brasil criticou nesta segunda, 8, a decisão da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj) de derrubar a prisão do presidente da Casa, Rodrigo Bacellar (União).
Em postagem no X, a TI afirmou que, na Alerj, “presidente a “Omertà”, a lei do silêncio da máfia.”
“Estarrecedor o depoimento e a linguagem criminosa do presidente da ALERJ Rodrigo Bacellar à PF: “não tô aqui pra entregar colega”. Revela à sociedade que na assembleia do Rio preside a “Omertà”, a lei do silêncio da máfia. Seus pares na ALERJ retribuíram e aprovaram hoje a revogação da prisão do líder. Em tempo: ao dizer à polícia que “não entrega colega”, Bacellar está, na prática, confessando crimes de responsabilidade, obstrução de justiça e conivência criminosa”, diz o perfil.
Votação
O plenário da Alerj aprovou nesta segunda-feira, 8, por 42 votos a 21 o projeto de resolução para revogar a a prisão de Bacellar.
Houve duas abstenções, uma delas do deputado Rafael Picciani (MDB), além de três ausências e um parlamentar licenciado.
Durante a sessão, deputados discutiram se seria permitido usar o microfone para justificar o voto.
CCJ
Mais cedo, a CCJ havia aprovado, por quatro votos a três, o projeto de resolução.
Votaram pela soltura o presidente do colegiado, Rodrigo Amorim (União Brasil), Alexandre Knoploch (PL), Fred Pacheco (PMN) e Chico Machado (Solidariedade).
Já os deputados Carlos Minc, Elika Takimoto (PT) e Luiz Paulo (PSD) votaram contra.
A prisão de Bacellar
Bacellar foi preso na quarta, 3, acusado de vazar informações sigilosas de uma operação que tinha como alvo o ex-deputado estadual TH Joias.
Segundo a PF, Bacellar orientou TH Joias, acusado de ter proximidade com a cúpula do Comando Vermelho (CV), a fugir e destruir provas antes da prisão, em setembro.
“Já no dia da operação, mais precisamente às 06:03h, a gravidade das interações vai além: TH envia para BACELLAR a foto de um celular contendo as imagens do sistema de segurança do imóvel objeto da busca, com a equipe policial desta Polícia Federal em seu interior, além de compartilhar com ele o telefone de sua advogada.”
Na decisão que autorizou a prisão, o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, disse que Bacellar “tinha o conhecimento prévio sobre a alteração do número de ‘TH JOIAS’, assim como orientou o investigado na remoção de objetos da sua residência, a indicar um envolvimento direto ‘no encobrimento do investigado à atuação dos órgãos de persecução penal’”.
“A autoridade policial afirma, ainda, que (a) ‘logo após a efetivação das medidas cautelares, o Governador do Estado e a cúpula da ALERJ promoveram uma célere manobra regimental. Esta ação política, que remete à notória Carta Picciani, resultou no retorno imediato de um deputado titular ao cargo, exonerando TH JOIAS (seu suplente) do mandato parlamentar, conforme consta na edição extraordinária do DOERJ de 3/9/20256 , dia da deflagração das operações policiais’, e (b) ‘a movimentação se justifica como uma estratégia imediata de controle de danos, visando desvincular a imagem da ALERJ do investigado TH JOIAS, que, como é de conhecimento público, era aliado político e presença constante em eventos institucionais dos Poderes Executivo e Legislativo’”, acrescentou.
“Nesse aspecto, consigna que ‘tal articulação serve como forte indício de que o vazamento de informações pode ter tido como objetivo primário a proteção de agentes políticos aliados à organização criminosa’, e que ‘um possível objetivo subjacente da ação obstrutiva é a manutenção do vínculo desses agentes políticos com o Comando Vermelho, facção responsável pelo maior controle territorial do Estado do Rio de Janeiro’”, continuou.
Soma-se a isso “risco verossímil de fuga especialmente diante da situação financeira do representado e de sua extensa rede de contatos”.
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