Nada de Novo no Front: o filme de guerra que desmonta o mito da glória
Um filme de guerra que troca heroísmo por lama, medo e vazio
Nada de Novo no Front é um dos filmes de guerra mais fortes dos últimos anos e uma atualização corajosa de um clássico antibelicista. Em vez de glorificar batalhas, ele acompanha jovens soldados alemães na Primeira Guerra Mundial presos em trincheiras encharcadas, lutando por um pedaço minúsculo de terra que, no fim, não significa absolutamente nada.
Por que Nada de Novo no Front é tão impactante?
Ao adaptar novamente o romance de Erich Maria Remarque, Edward Berger foge da estética de heroísmo que ainda domina muitas produções de guerra. A câmera se aproxima dos rostos assustados, da lama, do sangue e da repetição exaustiva dos ataques, criando a sensação de que tudo aquilo é um ciclo sem saída.
O espectador acompanha Paul e seus amigos passando de estudantes empolgados a soldados esgotados, quebrados física e mentalmente. Não há grandes discursos de vitória ou cenas de comemoração; o que domina é o vazio de perceber que, dia após dia, nada realmente muda no front.
Confira ao trailer da obra:
Como a adaptação de Nada de Novo no Front saiu do papel?
O filme só chegou até nós graças à insistência quase absurda da roteirista Lesley Paterson. Durante dezesseis anos, ela lutou para manter os direitos de adaptação da obra, pagando uma quantia alta todos os anos para que a história pudesse um dia voltar às telas.
Para bancar esses custos, Paterson participou de provas de triatlo com premiações em dinheiro e usou o valor dos títulos esportivos para segurar o projeto. O resultado desse esforço aparece no roteiro enxuto, preciso e pensado nos detalhes, em que praticamente nada está ali por acaso.
- Mais de uma década defendendo os direitos do livro até surgir a chance de filmar.
- Prêmios em triatlo usados para pagar taxas anuais e manter o projeto vivo.
- Um roteiro lapidado com tempo, cuidado e foco na mensagem antibelicista.
Por que Nada de Novo no Front é uma aula de antibelicismo?
Ao invés de discursos inflamados, o filme prefere pequenos símbolos e situações para mostrar o quanto a guerra é inútil. Os personagens entram no front acreditando em honra, glória e patriotismo, mas logo se dão conta de que são apenas peças descartáveis em um jogo decidido por generais e políticos distantes.
O contraste entre as trincheiras e as salas limpas dos comandantes reforça essa crítica. Enquanto jovens morrem na lama por alguns metros de terreno, a cúpula militar discute prazos, negociações e orgulho nacional, como se vidas fossem números em uma tabela.
- Mostra a guerra pelo olhar do soldado comum, não do herói invencível.
- Reforça a ideia de que quase ninguém sabe por que, de fato, está lutando.
- Expõe como o “front” é um mesmo pedaço de terra disputado à exaustão, sem sentido.
Confira a algumas cenas dos bastidores do filme nessa postagem da rede social X:
Bastidores de "Nada de Novo no Front" da Netflix. (Edward Berger, 2022)pic.twitter.com/NEuXUFcqWo
— Cinematografia. (@Cinematografiaz) December 30, 2024
Vale a pena assistir Nada de Novo no Front hoje?
Nada de Novo no Front não é um filme confortável, nem feito para empolgar quem espera ação puramente divertida. É uma experiência dura, que deixa marcas justamente porque revela a guerra como ela é para quem está na linha de frente: barulho, medo, sangue e a sensação de que nada daquilo deveria estar acontecendo.
Em tempos em que discursos de força e confronto voltam a ganhar espaço, revisitar uma obra tão claramente antibelicista é quase um serviço público. Para quem gosta de cinema de guerra sério, com peso histórico e mensagem forte, esta versão de Nada de Novo no Front é praticamente obrigatória.
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