Descoberta em Tanis está reescrevendo 3.000 anos de história do Egito
A arqueologia egípcia volta a ganhar destaque com a identificação de um túmulo vazio, mas ricamente equipado, ligado ao faraó Shoshenq III
A arqueologia egípcia volta a ganhar destaque com a identificação de um túmulo vazio, mas ricamente equipado, ligado ao faraó Shoshenq III.
No interior da câmara funerária, pesquisadores encontraram 225 estatuetas funerárias dispostas de forma cuidadosamente planejada, mas sem qualquer vestígio de corpo.
Por que o túmulo de Shoshenq III em Tanis é considerado tão enigmático
Em tumbas reais, espera-se a reunião do sarcófago, do cadáver mumificado e de um aparato ritual coeso, algo que, em Tanis, aparece incompleto e desconcertante.
Os arqueólogos destacam três aspectos decisivos para o caráter singular do achado, que ajudam a explicar por que esse túmulo se tornou uma peça-chave para entender a dinâmica do poder real e as tensões sucessórias de uma fase fragmentada da história egípcia:
- Estado de preservação: as estatuetas foram encontradas em posição original, sem sinais de rearranjo recente.
- Escala do conjunto: 225 peças, algo raro em tumbas reais do período, sobretudo em contexto não saqueado internamente.
- Ligação formal ao faraó: símbolos reais e inscrições que apontam para Shoshenq III como titular da tumba.
A French archaeological mission at the San El-Hagar site in Tanis has uncovered 225 ushabti figurines belonging to King Shoshenq III of the 22nd Dynasty, which experts hailed as the most significant discovery in the ancient Sharqiya capital since 1946.
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Como as estatuetas funerárias ajudam a interpretar o túmulo de Shoshenq III
As estatuetas funerárias, conhecidas como shabtis ou ushabtis, desempenham papel central na interpretação do túmulo de Shoshenq III.
Representando servos destinados a trabalhar pelo morto no além, elas foram alinhadas em desenho em estrela e em fileiras regulares, sugerindo uma intenção ritual precisa, possivelmente ligada a concepções cósmicas.
Um elemento atípico é a predominância de figuras femininas, algo pouco comum em sepultamentos reais semelhantes. Essa característica amplia as hipóteses sobre a comitiva simbólica do faraó no outro mundo e pode apontar para mudanças rituais, maior influência de grupos familiares ou sacerdotais e até vínculos com divindades protetoras femininas ainda pouco compreendidos.
Quais hipóteses explicam a ausência do corpo de Shoshenq III
A principal pergunta sobre o túmulo de Shoshenq III diz respeito às razões que levaram à ausência do corpo do faraó. Ele viveu em um período de disputas intensas entre o Alto e o Baixo Egito, com centros rivais de autoridade que podiam interferir diretamente na preparação e no destino de sua tumba.
Entre as hipóteses mais debatidas, estudiosos consideram cenários que vão de decisões políticas a ações de proteção ou saque, todos compatíveis com o clima de instabilidade da época e com o fato de Shoshenq III estar associado a diferentes monumentos em Tanis.
Qual é o impacto da descoberta do túmulo de Shoshenq III para a arqueologia egípcia
O estudo do túmulo de Shoshenq III em Tanis oferece um raro exemplo de contexto funerário real parcialmente intacto fora do Vale dos Reis. Isso permite revisar interpretações sobre o Terceiro Período Intermediário, mostrando que, mesmo em tempos de fragmentação, o investimento simbólico na realeza continuava intenso e tecnicamente sofisticado.
O cuidado na remoção das peças, ao longo de vários dias, abriu espaço para análises laboratoriais detalhadas, incluindo estudos de pigmentos, materiais e resíduos orgânicos, além de comparações estilísticas com outros conjuntos de Tanis e do Vale dos Reis, reforçando a importância de revisitar sítios antigos em busca de novas respostas.
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