Crusoé: Blindagem suprema
Esforço bolsonarista em conseguir maioria no Senado assusta Gilmar, que reage
Em uma de suas últimas aparições públicas antes de começar a cumprir prisão domiciliar, que depois se converteu em preventiva, Jair Bolsonaro defendeu, publicamente na Avenida Paulista, que gostaria de controlar pelo menos 50% da Câmara e do Senado.
A mensagem era clara. Com maioria nas duas Casas legislativas, seria possível fazer os presidentes tanto da Câmara quanto do Senado e, assim, trabalhar para que finalmente algum chefe de Poder desengavetasse pelo menos um, entre dezenas de pedidos de impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF).
Um poder que, até hoje, continua intocado, apesar dos abusos, erros e decisões, no mínimo, controversas que foram proferidas nos últimos anos.
“Me deem isso que eu mudo o destino do Brasil”, chegou a dizer Jair Bolsonaro a seus apoiadores na avenida Paulista.
O Brasil mudou, mas de outro jeito. Nesta semana, o ministro do STF Gilmar Mendes se antecipou à estratégia bolsonarista de comandar o Senado para dar seguimento, ao menos, ao impeachment do ministro Alexandre de Moraes. E qual foi o resultado? Uma das decisões mais controversas dos últimos anos, que apenas agravou a crise entre os três Poderes.
Na quarta-feira última, Gilmar suspendeu trechos da Lei 1.079/1950 — conhecida como Lei do Impeachment – e limitou à Procuradoria-Geral da República (PGR) o poder de apresentar denúncias de crimes de responsabilidade envolvendo integrantes da Suprema Corte. E não foi apenas isso.
Ele também determinou que a admissibilidade e o recebimento da denúncia no Senado só poderão ocorrer com apoio de 2/3 dos senadores, afastando o quórum de maioria simples previsto nos artigos 47 e 54 da Lei 1.079.
Na teoria – e na prática – blindou os integrantes do Supremo. Agora, para que um ministro do STF seja processado por crime de responsabilidade, é necessário não somente a boa vontade do procurador-geral da República de plantão como também de pelo menos 54 senadores. Uma missão quase impossível…
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Comentários (2)
ANDRÉ MIGUEL FEGYVERES
05.12.2025 20:08É parece que assustou mesmo! Pudera, tantos descalabros, tantos escândalos, tantos abusos de suas próprias prerrogativas, tantos supersalários, sinecuras e benesses estarrecedores, além de só pensarem em si mesmos, a maioria dos 11 do STF desagradam à população que acompanha a atuação dos mesmos. Covardia Gilmar!
Ariadne
05.12.2025 16:37Teve várias oportunidades mas optou 1° pela blindagem familiar. O abraço na casa de um dia ministros do STF, custou e custa muito caro ao Brasil até hoje! Jogou todas as chances de trabalhar por um Brasil melhor na lata do lixo! Deu no q deu...