Nasa encontra molécula da felicidade em materiais trazidos do asteroide Bennu
Triptofano foi encontrado entre os materiais trazidos do asteroide
A descoberta de possíveis vestígios de triptofano em amostras do asteroide Bennu, coletadas pela missão OSIRIS-REx da NASA, reacendeu o debate sobre a origem dos ingredientes químicos essenciais à vida e reforça a hipótese de que asteroides e cometas podem ter fornecido moléculas orgânicas complexas à Terra primitiva, ampliando o cenário de uma química prebiótica rica no Sistema Solar jovem.
O que é o triptofano e por que ele é importante para a vida?
O triptofano é um aminoácido essencial, não produzido pelo corpo humano, que precisa ser obtido por meio da alimentação. Ele participa da síntese de serotonina, neurotransmissor ligado a sono, apetite, humor e outros processos fisiológicos, e também é precursor de melatonina e de vitamina B3 (niacina).
Na dieta, o triptofano é encontrado em aves, peixes, laticínios, ovos, castanhas e sementes. A detecção desse aminoácido em um asteroide como Bennu indica que compostos associados a funções biológicas complexas podem se formar em ambientes sem vida, o que traz implicações diretas para a astrobiologia e para a compreensão da química prebiótica em corpos pequenos e gelados.

Como o triptofano pode ter se formado no asteroide Bennu?
Os cientistas buscam entender quais processos químicos produziram aminoácidos e nucleobases em Bennu, preservados em fragmentos em pó que registram reações de bilhões de anos atrás. A presença passada de água líquida no asteroide é vista como um fator-chave para essas reações, possivelmente em interação com minerais que atuam como catalisadores.
O triptofano é relativamente frágil e tende a se degradar no calor extremo que meteoritos enfrentam ao entrar na atmosfera. Por isso, o retorno controlado das amostras de Bennu, em cápsula protegida, aumenta a chance de identificar moléculas delicadas, incluindo aminoácidos raros que raramente sobrevivem ao impacto na superfície terrestre.
Qual é a relação entre o triptofano em Bennu e a origem da vida na Terra?
A chamada hipótese da “entrega extraterrestre” sugere que cometas, meteoritos e asteroides bombardearam a Terra primitiva, liberando moléculas orgânicas que se acumularam em oceanos, lagoas ou ambientes ricos em minerais. O possível triptofano de Bennu reforça a ideia de que a diversidade química entregue ao planeta pode ter sido maior do que se imaginava inicialmente.
A presença de aminoácidos essenciais em rochas espaciais, porém, não indica vida, mas sim processos químicos não biológicos capazes de gerar blocos de construção da vida. Assim, o achado funciona como pista da química ambiental, em conjunto com outras moléculas como as bases nitrogenadas adenina, guanina, citosina, timina e uracila, já detectadas em Bennu e Ryugu.
Analysis of samples from asteroid Bennu confirmed the presence of 14 amino acids, including tentative traces of tryptophan, and five nucleobases, indicating both protein and genetic building blocks coexisted in the same extraterrestrial material. These molecules likely formed… pic.twitter.com/ISUxc8o70L
— Mayur Tembhare (@Mayur_Tembhare_) November 29, 2025
Quais são os próximos passos na pesquisa sobre triptofano extraterrestre?
A detecção de triptofano extraterrestre é vista como ponto de partida para novas análises laboratoriais que confirmem sua origem. Para isso, os pesquisadores reforçam a necessidade de medições isotópicas detalhadas e do estudo da distribuição de suas formas enantioméricas, além de comparações entre diferentes laboratórios.
Essas investigações também focam nos minerais associados ao triptofano, buscando reconstruir condições de temperatura, presença de água, pH e composição química. A seguir, experimentos em laboratório poderão tentar reproduzir esses ambientes, testando se reações semelhantes geram os mesmos compostos, o que ajudará a entender melhor até que ponto o cosmos consegue montar, de forma autônoma, uma ampla “despensa química” para o surgimento de sistemas vivos.
- Confirmar, com múltiplas técnicas, a presença de triptofano em Bennu e descartar contaminação terrestre.
- Mapear a associação entre aminoácidos, nucleobases e minerais para reconstruir o ambiente químico do asteroide.
- Comparar Bennu com outros corpos, como Ryugu e futuros alvos de missões, buscando padrões comuns de química prebiótica.
- Realizar experimentos em laboratório que simulem as condições de Bennu, testando a formação de moléculas orgânicas complexas.
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