“Se pretendesse fugir, ele cortaria a tornozeleira”, diz advogado de Bolsonaro
Paulo Cunha Bueno afirmou que fuga seria "impossível" e citou episódio envolvendo Fernando Collor
Paulo Cunha Bueno, advogado do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou nesta quinta-feira, 27, que o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) tivesse a intenção de fugir da residência onde cumpria prisão domiciliar ao violar a tornozeleira eletrônica.
Segundo a defesa, uma eventual fuga “exigiria uma estrutura complexa”, e Bolsonaro possivelmente cortaria o item de monitoramento.
“Ele mesmo teve a diligência de informar o setor que faz monitoramento. Havia uma suspeita de que poderia haver um dispositivo de escuta. Volto a falar o seguinte, você simplesmente interagir com a tornozeleira não significa, não equivale a dizer que se pretendia fugir. A fuga exigiria uma estrutura complexa. Se ele pretendesse fugir, ele iria cortar a tornozeleira. E não simplesmente passar um ferro de solda para ver o que tinha dentro da caixinha do dispositivo da tornozeleira. Não faz sentido isso“, disse à GloboNews.
O advogado também argumentou que a própria configuração da residência impediria uma tentativa de fuga. “Se as pessoas conhecessem o local onde ele mora, saberiam que não tem como fugir pelos fundos. Há muros altos, vizinhos, não há saída para a rua. Uma pessoa como o presidente Bolsonaro, se puser o pé na esquina, é reconhecida. É preciso apreciar o contexto.”
O ex-presidente usou um ferro de solda para tentar abrir a tornozeleira e alegou ter agido movido por uma “certa paranoia”.
Collor
Cunha Bueno citou o caso do ex-presidente Fernando Collor de Mello, que permaneceu com a tornozeleira eletrônica desligada por 36 horas.
Além disso, o advogado lembrou que Collor foi transferido para prisão domiciliar em razão do estado de saúde, o que também seria necessário para Jair Bolsonaro.
“Aliás, o caso do presidente Collor deveria ser paradigma para o caso do presidente Bolsonaro também. Presidente Collor se encontra em prisão domiciliar por conta de apneia do sono e doença de Parkinson. Circunstâncias que ele negou na sua audiência de custódia.”
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