Retrospectiva: o dia em que Jair Bolsonaro teve um ‘surto paranoico’
O ex-presidente afirmou em 22 de novembro que tentou abrir a sua tornozeleira eletrônica após uso de medicamentos
Antes de ser preso pela Polícia Federal na manhã de 22 de novembro, o ex-presidente da República teve, segundo ele mesmo, um surto paranoico em função do uso de medicamentos.
Pelo menos foi essa a explicação dada pelo ex-presidente da República ao justificar o uso de um ferro de solda para queimar a caixa da tornozeleira eletrônica horas antes de ser preso. Em depoimento, Bolsonaro atribuiu o ato a uma alucinação.
“Indagado acerca do equipamento de monitoramento eletrônico, o depoente [Jair Bolsonaro] respondeu que teve uma ‘certa paranoia’ de sexta para sábado em razão de medicamentos que tem tomado receitados por médicos diferentes e que interagiram de forma inadequada (pregabalina e sertralina); que tem o sono ‘picado’ e não dorme direito resolvendo, então, com um ferro de soldar, mexer na tornozeleira, pois tem curso de operação desse tipo de equipamento“, descreveu o termo de audiência de custódia da prisão do ex-presidente da República.
Bolsonaro foi preso preventivamente por determinação do ministro do STF Alexandre de Moraes. Moraes usou dois argumentos para prender o ex-presidente em regime fechado: um suposto descumprimento de medida cautelar após tentativa de arrombar a tornozeleira eletrônica e um suposto plano de fuga, a partir de uma vigília convocada por Flávio Bolsonaro (PL-RJ).
“Afirmou o depoente que, por volta de meia-noite mexeu na tornozeleira, depois ‘caindo na razão’ e cessando o uso da solda, ocasião em que comunicou os agentes de sua custódia“, seguiu o documento.
“O depoente afirmou que estava acompanhado de sua filha, de seu irmão mais velho e um assessor na sua casa e nenhum deles viu a ação do depoente com a tornozeleira. Afirmou que começou a mexer com a tornozeleira tarde da noite e parou por volta de meia-noite. Informou que as demais pessoas que estavam na casa dormiam e que ninguém percebeu qualquer movimentação.”
Escuta na tornozeleira
“O depoente afirmou que estava com ‘alucinação’ de que tinha alguma escuta na tornozeleira, tentando então abrir a tampa. O depoente afirmou que não se lembra de surto dessa natureza em outra ocasião. O depoente afirmou que passou a tomar um dos remédios cerca de 4 (quatro) dias antes dos fatos que levaram à sua prisão.”
Bolsonaro pôde encontrar-se com os advogados antes de falar com a juíza auxiliar, por videoconferência.
“O depoente afirmou que não houve rompimento da cinta. Afirmou, ainda, que havia rompido anteriormente a cinta em uma ocasião em que precisou realizar uma tomografia. Sobre a vigília convocada por seu filho, afirmou o depoente que o local da vigília fica a setecentos metros da sua casa, não havendo possibilidade de criar qualquer tumulto que pudesse facilitar hipotética fuga“, diz o documento.
No depoimento, Bolsonaro declarou que usou sertralina “sem se comunicar com os demais médicos“, que cuidam de sua saúde. A sertralina é um antidepressivo usado também para o controle de ansiedade.
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